20 de maio de 2012

Gatos e lebres.

Fui este fim de semana de visita a uma das inúmeras feiras medievais a que o país se habituou nos últimos anos, movimento que favoreceu o surgimento de pequenas empresas especializadas na organização e animação destes tipos de eventos. O local onde se realizou o mercado - outrora um burgo do Portugal medievo marcado por tensões, pactos e políticas de expansão do reino -, é hoje um parque de merendas inexpressivo, com uma placa que assinala a inauguração do mesmo por sua ex.ª o Senhor Prof. Doutor Cavaco Silva. A república a que este senhor ainda preside destruiu e submergiu (supostamente em nome do progresso) uma das pontes românicas mais importantes do país, varrendo com ela o velho burgo medieval, ligado a reis, rainhas e príncipes. Não contente, plantou quase à porta da igrejinha medieval uma etar a céu aberto. E, claro, ajardinou e ladrilhou, como convém a qualquer parque de merenda. § Hoje fez-se ali o mercado medieval, misto de feira de produtos esotéricos, com música new age e pan pipes. O mais comum dos mortais que por ali passeava não dava pela diferença entre o que podia efectivamente ter sido usado na medievalidade e o que constituía produto made in china enviado a Portugal o mês passado. Não interessa. Este tipo de iniciativas atrai. Os rapazes brincavam aos reis e vilões, as meninas às princesas e rainhas. Os pais entretinham o estômago, e os políticos - que se reconhecem perfeitamente nas visitas de fim de semana por usarem apenas fato e camisa sem gravata - colhiam os louros sobre tão vistosa iniciativa. Esta é prova de que a História rende e vende. Nem que seja gato por lebre.

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