14 de maio de 2012

O riso.

É preciso ter chorado para imortalizar o riso no livro, na estrofe, na sentença, na palavra:
O riso que escava, mina e alui teogonias;
O riso que desfaz religiões, cujo berço boiou embalado sobre as ondas de sangue;
O riso que abate a abóbada do templo sobre as ossadas dos mártires;
O riso que revoluteia as tormentas dos impérios, e abisma tronos, e espuma espadanas de lama - lama com que as gerações erigem os seus marcos milenários, as suas cronologias gloriosas.

Camilo Castelo Branco, A Mulher fatal, c. 1870.

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