14 de dezembro de 2011

O voyeurismo pseudo-histórico.

O voyeurismo parece ser a razão de tantas obras recentemente editadas sobre devassidão, amantes, traições, paixões e devaneios das elites. De repente nasceu uma corrente de investigação em Portugal exclusivamente para historiar o sexo. Felizmente que alguém, além de nós, se deu ao trabalho de constatar o óbvio. A história queer*, da devassidão pública ou privada sob a desculpa do facto histórico para além de cientificamente insustentável é uma perfeita estupidez, consagrada segundo um paradigma de seriedade analítica. Não é séria, bem pelo contrário. É hipócrita e abjecta, como se  interessasse a alguém os pormenores escabrosos da vida sexual e amorosa de "algumas" pessoas. Pior, como se fosse eticamente correcto fazer o coming out* de quem já não pode fazê-lo. Isto é, se realmente o desejava fazer. Não podemos, pois, deixar de assinalar o desmascarar de uma pretensiosa obra historiográfica de alcova que já referimos n'Obliviário: Homossexuais no Estado Novo, de São José Almeida, uma jornalista que se fez historiadora para provar o que já sabíamos: que em todos os tempos existem segredos. E bisbilhoteiros. Um dos autores do blogue Malomil disseca com notável destreza e ironia o discurso balofo daquele trabalho que oscila entre a noção de mau jornalismo e péssimo jornalismo. Sim, porque do foro da História "aquilo" não é com certeza.

2 comentários:

  1. O autor do blog não sou eu. Veja lá quem escreveu o texto. António Araújo.

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  2. Obrigado pela chamada de atenção. Já corrigi o engano. As minhas desculpas.

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