19 de outubro de 2011

O feminismo fora de moda.

Um tal Paula Cosme Pinto, jornalista do Expresso e, pelos vistos, formada na Escola da Vida, vem com uma azougada crónica gritar contra o pretenso impedimento da ordenação de mulheres no seio da Igreja Católica. O título pergunta "porque raio não podem as mulheres ser padres". Bem, esta incisiva questão merecia uma resposta à altura. Afinal de contas, as mulheres não podem ser padres, porque para tal precisavam de ser homens. Assim sendo só poderão ser madres. Mas deixamos de lado o óbvio e passamos à filosofia desta senhora jornalista. Segundo ela o facto de não se ordenarem mulheres é um sério atentado à dignidade feminina. Chamando à colação inquisidores e outras quejandas parvoíces que se invocam quando se não tem conhecimento de causa sobre as coisas que se criticam, Paula diz que não a apanham na missa. É natural. Se soubesse de liturgia, de História Eclesiástica e de teologia, saberia que o papel da mulher na Igreja e na Religião Católica não é despiciente, nem menor. Saberia, por exemplo, que a vida religiosa feminina nos legou uma das maiores heranças culturais que há memória (v.g. Santa Teresa de Ávila) que apesar de potencialmente um mundo masculino, dentro da basílica de São Pedro repousa uma mulher, ao lado de papas, reis e príncipes e que, só porque não podem celebrar missa as mulheres, leigas ou eclesiásticas, não deixam de poder participar activamente na construção da Igreja. Mas isto, claro, passa ao lado de quem não participa da comunhão religiosa. É por isso que num mundo não ateu, mas indiferente e medíocre, qualquer chavão ou boato infundado assume as proporções de uma certeza. Alguém com a idade da Paula Cosme Pinto que tem no seu C.V. Escola da Vida, devia saber, pelo menos, que a ignorância pode ser um analgésico, mas não é uma bênção.

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