25 de setembro de 2011

A doença do igualitarismo

já chegou a Cinfães. Ao que parece nas escolas primárias do concelho reinstituiu-se o uso de bata para não haver pruridos de classe entre as crianças. Era, pelo menos, essa a justificação de uma professora e do director do agrupamento. Com batas não haverá distinção de classe (nem género). Apenas crianças a brincar alegremente num mundo sem barreiras sociais.
Não sei se ria, se chore. Parece uma fábula bolchevique mal contada.
Se me dissessem que a bata era indumentária útil, para não sujar a pouca roupa disponível que algumas crianças têm, a notícia passaria despercebida, tudo bem. Mas justificar com a diferença ou o estatuto social, não só é de uma imbecilidade atroz, como revela uma miopia ideológica há muito fora de moda.
Se o que querem é arrumar a pobreza para debaixo da bata, vão ter que arranjar muitos pares delas.
E se querem uniformizar as crianças à condição de indivíduo totalmente asséptico e não diferençável, sugiro que comprem uma daquelas máscaras brancas que os anónimos usam nos programas da tarde. Assim esconderão também as crianças menos bonitas.

2 comentários:

  1. Meu Caro Nuno,

    Nesta questão é compreensível o seu desdém e respectiva linha de argumentação.
    Porém, há que lembrar que é precisamente em nome da supressão de sinais de diferenciação social entre alunos, que em vários países se conserva a regra do uniforme escolar, e isto porque se considera, não sem recurso a um certo acumular de experiência nesse sentido, que a manifestação de sinais de diferenciação conduz a situações indesejáveis a um são ambiente lectivo, como o "bullying", a cobiça de bens alheios, a agremiação entre miúdos por classe social e a inter-exclusão entre grupos que devem estar integrados.

    O Japão é talvez o caso mais rígido nesse domínio: em determinadas escolas, além da obrigatoriedade do uso de uniforme, nem produtos de marca sequer podem ser trazidos/envergados pelos miúdos, sob pena de falta disciplinar.

    Eu confesso que a rigidez destas normas neste país — que no caso varia de escola para escola, uma vez que cada estabelecimento de ensino possui autonomia disciplinar neste domínio — me chega a fazer bastante confusão, nalguns casos, tamanha a severidade aparente de certas regras.
    Contudo, há que entender que, em geral, numa sociedade onde o 'status' conta muito, como é o caso, as regras relativas ao uso de uniforme constituem-se com fins preventivos de grande utilidade. Contava-lhe várias histórias a este respeito, mas vou deixar para outra altura...

    E eu, nado e criado em Lisboa, e logo no imediato pós-25 de Abril tive que usar bibe como toda a miudagem da escola que frequentava — que por acaso era um estabelecimento de ensino privado — e não me fez mal nenhum. Males, nos pátios, nos recreios e nas próprias salas de aula, comecei eu a aprecia-los quando deixamos de ter que os usar. Essa é que é essa...

    Forte Abraço de Longe, boa semana,

    Luís Filipe Afonso, Fukuoka, Japão

    ResponderEliminar
  2. Não é no "1984" que todos usam uma espécie de fato macaco (igualitário)?

    ResponderEliminar

A Democracia exige Responsabilidade individual. Nicks, anónimos ou mensagens insultuosas demonstram faltam de auto-estima, comportamentos associais e incapacidade de lidar com a opinião alheia e, como tal, não serão publicados.