13 de abril de 2011

Nacionalidade sem nacionalismos.

Londres, Covent Garden, 2011, NR (c).

Visito Londres durante a preparação para o casamento do século, o do Príncipe Guilherme de Windsor com Katherine Middletton. O acontecimento é um estado febril. Por todo o lado lojas oficiais e não oficiais desdobram-se em merchandising: canecas, pratos, bandeiras, bules, etc, etc, tudo com a efígie do casal. Não há mãos nem braços que cheguem para abarcar a publicidade que se faz à cerimónia, ao cortejo e a toda a preparação para o real enlace. Na rua, a somar às incontáveis Union Jack que edifícios públicos e privados exibem com brio, várias pessoas transportam consigo pequenos estandartes e bandeirinhas. De resto, nas exposições que se multiplicam sobre a Monarquia, ouvia as crianças perfeitamente familiarizadas com o nome de cada um dos seus monarcas e uma ou outra característica sobre a sua vida, por mais desinteressante que seja.
O símbolo da Coroa está por todo o lado, desde as obras dedicadas ao Jubileu da Rainha, à lembrança de Diana de Gales, e aos príncipes Guilherme e Harry. O turismo vive, afinal, destas "futilidades" de castelos, reis, princesas, como se vê pelas filas intermináveis para entrar na Torre de Londres e ver as jóias reais. (Quantos pagariam para ver o guarda roupa da primeira-dama de Portugal?) E quanto mais difíceis estão os tempos, mais estas figuras (que alguns consideram vazias) significam algo para o povo que as exaltam. Que  (a maioria) as trata com respeito e reverência, como o capitão do barco que fez a visita guiada e que nunca se dirigiu à monarca pelo nome, mas por Her Majesty The Queen.
Volto a Portugal. Os jornais tratam, desde o presidente ao primeiro-ministro por tu, os políticos tratam-se uns aos outros por ladrões e, nos cafés e na rua, todos se tratam mal. Não é uma questão de respeito, é uma questão de auto-estima. Um país que não gosta da sua História, que não acredita nela nem nos seus intervenientes, que não se agrega em redor dos seus símbolos em tempo de crise, dificilmente conseguirá chegar a ser um país.
Somos como muitas das bandeiras republicanas espalhadas por edifícios públicos: cheias de surro, esfarrapadas e mal representadas.

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