4 de março de 2011

A sangria das estradas: a propósito de Entre-os-rios.

Via José Manuel Fernandes/facebook (c) Público


Acabo de ouvir, na rádio, um destes políticos do interior, oficial camarário com mentalidade paroquial, a falar do desenvolvimento da terra, hoje lembrada pela tragédia de há 10 anos em Entre-os-rios. Segundo ele faltam ainda as acessibilidades - sempre as acessibilidades, só as acessibilidades. Que se demora mais de uma hora a chegar ao Porto, a apenas 50 quilómetros de distância. Quem for entrevistar os políticos vizinhos, a Cinfães ou Resende, Marco de Canaveses ou Baião, ouvirá o mesmo, que faltam acessos, estradas, acessibilidade. A conversa é tão monótona como a bagagem cultural desta gente.
O cúmulo desta estupidez plasmou-se no ordenamento pós-Entre-os-rios: onde existia uma ponte que caiu devido à incúria dos organismos públicos, construíram-se 2! como uma espécie de lenitivo pela desgraça...
Falemos a sério: desde os anos 80 que o país se cobre de asfalto. Já temos 3 autoestradas paralelas, de norte a sul do país. Falta axadrezar o interior com vias rápidas, é certo. E depois? quando todo o país estiver coberto de vias? Estaremos melhor? É que, para já, a coisa piora de dia para dia, não obstante o investimento em estruturas viárias.
Estes mandantes com sotaque, pequenos régulos do caciquismo municipal, acham que o desenvolvimento maior do rincão que governam é ter rotundas com chafarizes, estradinhas e caminhos municipais ora asfaltados, ora empedrados e muitos sinais de trânsito. Entretanto, por aqueles caminho e por aquelas estradas, as pessoas continuar a migrar. O país sangra o país através das suas estradas. E ninguém vê isto?

2 comentários:

  1. Muita gente vê, meu Caro Nuno.

    O que que a grande maioria das pessoas parece não ver — ou não querer ver —, é que a destruição sistemática da capacidade produtiva do país, a que vimos assistindo impávidos, nos últimos trinta e poucos anos, é a causa última (mas não única) de todos os males que afligem o nosso país.
    E um pais que não produza nada ou quase nada que se veja, é um país sem ponta de futuro.
    Com muitas ou poucas estradas, com muitos ou poucos aeroportos, com ou sem TGV ou o que mais se lembrem de implementar.

    Um Grande Abraço,

    Luís Filipe Afonso, no Japão

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  2. "E um pais que não produza nada ou quase nada que se veja, é um país sem ponta de futuro.", exactamente, caro Luís! Este país não produz nada! Se ainda produzisse, justificava-se o afã construtivo de estradas do investimento em transportes. Mas constroem-se pontes, como a nova de Entre os rios, que ligam nada a coisa nenhuma... é muito triste...
    Um abraço até ao outro lado do mundo!

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