12 de março de 2011

O "baptismo" da presidência?



Eu já me envergonho mais do que me espanto com algumas pessoas deste país. Como é possível que os comentadeiros de serviço e demais politógos, tudólogos e opiniosos venham elogiar, ou sequer dar crédito às palavras do discurso inaugural do novo, e felizmente último, mandato de Cavaco Silva? A memória não é assim tão curta que ninguém se lembre das manigâncias daquele senhor enquanto Primeiro-Ministro? Basta ir buscar as capas do Independente para resgatar dum passado bem presente as estratégias de poder do cavaquismo. Mérito em vez de apartidarismo? Diz muito bem o senhor presidente, mas quando esteve à frente do governo, encheu ministérios e serviços públicos com boys e simpatizantes do PSD. Durante a sua governação parte do país, bem agarrada à fina camada de "ouropeu", distribuiu benesses a torto e direito, beneficiou determinadas classes, criando polvos com tentáculos bem extensos e cujas ramificações, lá se vão desgrilhoando, aos poucos, mas para dar lugar a ventosas de outra cor política. Esta coisa do Presidente da República emergir do passado das trevas ou do lamaçal político, novo e puro, é uma figura muito bonita, mas pouco credível. O ar sinistro do senhor Cavaco Silva, misto de Salazar e de Américo Tomás, lembra tudo menos a juventude e a mudança. Lembra-me uma década de desperdício, de destruição e de progresso insustentável. Infelizmente, o cargo de presidente da república, não confere o perdão dos pecados, nem a entrada no reino dos justos. O senhor Cavaco Silva NÃO TEM moral suficiente para tecer as considerações que teceu. É só mais um dos políticos que ajudou ao enterro económico e social deste país. Qualquer bênção ou lição que este senhor dê não deve ser tomada a sério.

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