25 de dezembro de 2010

O céu de Portugal.

"Tinha ele vindo de Castela a Portugal, sob pretexto honesto, a tratar cousas suspeitas e indignas do seu hábito e profissão. Como era sagaz e astuto, soube encobrir-se com arte e fingir-se com ardil, por feição que se fez lugar entre os portugueses. O que não admira. Pois é costume desta nação venerar o de fora, e desprezar o de casa. Parece que como Deus criou esta nação para descobrir terras, lhe influiu inclinar-se para estrangeiros. Pelo que, se lhes pega o que vem de fora como se fosse natural, e tratam o natural como se fosse estranho. Um perpétuo milagre se vê no céu de Portugal: e é que têm nele melhor estrela os estrangeiros que os naturais. Estima-se em Portugal como raro e amável, o que é estranho e peregrino.[...]

Diogo César de Meneses, falando de frei Nicolau de Velasco, pela pena de Camilo Castelo Branco em "Luta de gigantes", 6.ª edição, de 1976, da Parceria A. M. Pereira, p. 80-81

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