24 de novembro de 2010

O Facebook, às vezes, tolda o discernimento.

Já aqui falei das petições online e do quanto elas valem, mas desde que o facebook começou a tomar força entre os meios de comunicação cibernética, começaram a surgir páginas a favor ou contra tudo e mais alguma coisa. Algumas delas puseram em circulação uma proposta ao que parece surgida na cabeça de um ex jogador de futebol, o Eric Cantona, que incita os cidadãos de todo o mundo a retirarem o seu dinheiro das contas bancárias no dia 7 de Dezembro, como forma de protesto contra a suposta crise que assola o planeta. Ora muito bem, vamos supor que no dia sugerido eu me dirijo a uma sucursal bancária e peço para retirar todo o meu pé de meia, ou dinheiro da conta corrente, requisitando, de seguida, que me fechem a conta. Depois, levo as notinhas e as moedas para casa. Guardo-as debaixo do colchão, ou num daqueles cofres portáteis e aguardo pacientemente pela vingança ao sistema económico. É óbvio que a maioria destas pessoas que age por impulso, sem discorrer um momento que seja no que está a aceitar ou propor fazer em conjunto com milhares de incautos. Não é assim que se remedeia ou resolve o mal feito. Aliás, ao embarcar nesta idiotice virtual, está a dar razão a este sistema que provocou o pré-colapso deste capitalismo sem freio: é que, afinal, tudo isto se deveu à corrida desenfreada por bens imateriais, por produtos não palpáveis ao alcance do crédito fácil. Se os mesmo néscios que andam a gritar naquela bolha chamada facebook contra a crise, deixarem de alimentá-la ao comprar sensações ou férias às prestações, talvez se consiga inverter o rumo desta enxurrada. Caso contrário, clicar em gosto no facebook ou fazer o papel ridículo de guardar o dinheiro numa caixa de papel em casa não resolve nada. Absolutamente nada.

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