Graças à visão empresarial de Catarina Portas, hoje em dia é possível encerar de novo o chão de madeira com Encerite, lavar a roupa com sabão Clarim ou escovar os dentes com pasta medicinal Couto. Estes e centenas de outros produtos vendem-se nas lojas d'A Vida Portuguesa, a preços exorbitantes, longe do valor de alguns tostões tão seriamente despendidos pelas nossas avós. Isto só é possivel porque o saudosismo é uma das melhores imagens de marca e a nossa infância é um produto tão ou mais vendável do que qualquer saco de pães acabados de sair do forno. Ora, o mais perverso nisto nem é o facto de grande parte daqueles "saudosos" produtos, cheio de cores apelativas e imagens sugestivas, terem sido em tempos bens de primeira necessidade, usados para manter um nível de decência que a economia nem sempre permitia e hoje sejam prendas para ricos. Não, o mais irónico disto é que tudo aquilo transpire a "pobrete e alegrete", a "uma casa portuguesa" e a "não é desgraça ser pobre". As imagens publicitárias das ceras, dos sabonetes, etc estão repletos de alusões ao "lugar" da Mulher na sociedade, seja a esfregar o chão ou a enfeitar-se para agradar ao marido. Já para não mencionar as desagradáveis reimpressões dos velhos livros da primária, repletos de alusões autoritárias e e ao corporativismo. De resto, toda a publicidade associada a tais produtos transporta para o Portugal actual chavões de gosto duvidoso, da lavra do período do Estado Novo. Depois espantam-se que nos autocarros, nas ruas e nas repartições públicas as pessoas clamem pelo regresso de Salazar. Naquele tempo é que era bom, porque hoje é muito mau? Não sei. Mas, se as lojas d'A Vida Portuguesa vendessem latas com o "senhor presidente do Conselho" em pó, estou em crer que se venderiam bem.

Ahahahahahahahahahah...podes crer..."ó v´zinho dê me aí 250 gr de Salazar em Pó...mais 1/2 kilo de areia pós olhos"!
ResponderEliminarIa ser um sucesso.
mas vendido para esterco a três vintens o balde raso certo?
ResponderEliminarL.Q.Guerra