18 de outubro de 2010

A amante do Presidente.

Quando me refiro a movimentos cívicos como alternativa à partidarização da democracia, devo frisar que nem sempre o associativismo se pauta por uma conduta ética que tenha em vista propugnar pelo bem público. Uma vasta maioria das associações é apenas um partido sem nome, formado para catapultar os seus membros para um certo lugar ou estatuto. Conheço bem o movimento associativo da minha terra há anos e reparo nos percursos invariavelmente semelhantes: primeiro um ideal, depois a instituição, depois o surgimento de uma figura catalisante, depois a menagem prestada à Câmara Municipal. No final do primeiro mandato apenas sobressai uma pessoa, que se impôs como o líder incondicional. Poucas associações acabam por cumprir o seu ideal, uma vez que o projecto pessoal de alguém acaba por se impor. Aliás, toda a ideia de movimento associativo gira em torno dos associados, não dos fundos públicos atribuídos, nem se coaduna com a emergência de um ou outro indivíduo, se não da força de todos. O que eu vejo mais na minha terra são dependências de partidos locais, financiados pela edilidade e figuras desconhecidas que aproveitam o título de presidente para se promoverem. Chega a ser caricato, uma autêntica fogueira de vaidades. Para obter o poder, nestas terras do interior, quem não tem um título académico, ou é padre, ou o arranja, ou amantiza-se com alguém poderoso ou...faz-se presidente de uma associação. Somos um país de devoristas, de oportunistas e de alpinistas.

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