6 de setembro de 2010

Nacionalistas ou Oportunistas?




O líder do PNR (Partido Nacional Renovador), José Pinto Coelho, vai candidatar-se ao lugar de Presidente da República, não obstante declarar-se monárquico (segundo o mesmo esta convicção é «um assunto de segundo plano»). Não conheço muito do percurso de vida deste indivíduo, embora me tenha bastado esta entrevista para ficar com uma ideia bastante precisa do que é que o senhor quer e para onde vai. § Qualquer um pode ser monárquico. Deve sê-lo com uma ideia essencial de que o sistema em que acredita não é o melhor de todos, mas uma alternativa séria, fundamentada e, sobretudo inclusiva, em relação a todas as outras. Tenho observado como os Movimentos Nacionalistas se vão colando à ideia de Causa Monárquica, subrepticiamente tomando para si a herança do Integralismo Lusitano e tentando aproveitar a boleia do movimento emergente neo-monarquista que não tinha tanta força desde as incursões Paiva Couceiro. Entendo e aceito porque vivemos em liberdade e contra a expressão e a crença não acredito nem subscrevo amarras e censuras. Mas não concordo. Não posso concordar nem apoiar que se tente passar a imagem de um Partido Nacionalista sem xenofobia, sem teses rácicas e sem desejos opressores. Aliás, vi o chefe da Casa Real numa manifestação pró-família quase ladeado por manifestantes do PNR e não gostei. Acredito numa monarquia constitucional, em que o chefe de estado não está manietado por ideologias, grupos, ou pressões. lobistas É por isso que sou monárquico e não republicano. E como acredito num sistema de cidadania activa não-partidária, tenho todo o direito para invocar esta minha crença para não subscrever os partidos enquanto redes formais e informais de influências individuais e colectivas, seja ele o BE ou o PNR. De resto, já aqui fiz a comparação entre ambos. Houve quem discordasse, mas é difícil rebater uma coisa: os extremos tocam-se. Tocam-se na mesma atitude agressiva ante o Outro, no mesmo discurso inóquo sobre grupelhos e intocáveis e na forma de estar perante a sociedade em geral, seja em defesa das baleias, dos homossexuais ou dos brancos arianos.

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