23 de setembro de 2010

Começo a ficar um pouco farto desta atitude sexológica de um vasto conjunto de comentadores de serviço. Bons velhos tempos os das lições do Doutor Júlio Machado Vaz que, não obstante o seu estilo gongórico, inspirava algum bom senso nas mentes dos seus ledores e ouvintes. Agora, qualquer um fala de sexo e de relações pessoais do alto de uma cátedra engendrada não sei muito bem onde. §  Numa destas noites estava um indivíduo a discursar alegremente sobre sexo no Porto Canal. Não retive o nome do senhor, mas intitulava-se director de uma coisa chamada Centro dos Afectos, que tive oportunidade de ficar a conhecer numa apresentação feita pelo mesmo canal. A visita guiada, que parecia saída de um filme de categoria B lembrou-me mais um campus circense, do que uma instituição de solidariedade e apoio, e as afirmações do dito senhor sobre liberdade sexual assemelhavam-se a frases soltas proferidas sobre o efeito do LSD, lá, nos idos de 1968. § Bom, quem como o Eduardo Pitta, tem um curso em "hermenêutica gay" (o que quer que tal seja) realmente pode arrogar-se a dar lições de moral sexual, como a que deu recentemente no seu blogue. Segundo ele não pode haver lugar para indignação sobre o uso de dicionários de calão, já que o vernáculo, quando não condensado, se pode encontrar disperso por qualquer manual de sinónimos e significados. E remata com isto:

Então e se o professor de português os puser a ler A Porra do Soriano de Guerra Junqueiro? Os meninos vão perguntar ao papá o que é um «singular mangalho», um «caralho iracundo», um «caralhão atroz»? Ou vão tirar MBA a Pina Manique?

Oh Santa Bestialidade! Já muito bom seria se os professores pusessem os alunos a ler Guerra Junqueiro, mais ainda a Porra do Soriano - obra de singular importância que tanta atenção derramou sobre Eduardo Pitta. § Realmente o "é proibido proibir" não deixou, desde Maio de 1968, de pairar sobre as cabecinhas pensantes deste país. Isso e o efeitos das drogas.

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