3 de agosto de 2010


Já aqui tenho referido a maçonaria e a sua influência na política portuguesa. Para esclarecer que não me move qualquer divergência primária, gostaria de esclarecer o seguinte: nada contra quem entende reunir-se secretamente para executar rituais e iniciações, desde que tais actos não extravasem os limites das lojas maçónicas. Ou seja que a associação implique a formação de clientelismos e solidariedades individuais, ideológicas e partidárias em detrimento de interesses cívicos. Se me disserem, então, que a maçonaria não é poder, nem contra-poder, apenas uma organização informal de filósofos e pensadores, muito bem, mas pergunto: que sentido faz uma tal associação secreta, abalançada nessa discussão filosófica, que não fizesse, no mesmo sentido, sendo aberta e livre a qualquer um? Porque os seus irmãos, escolhidos segundo critérios pouco claros, de redes informais, por exclusividade, comunicam por códigos, usam nomes simbólicos e praticam juramentos de fidelidade e sigilo? Por simples brincadeira? Se assim é, considero (mas é apenas a minha opinião pessoal) uma perda de tempo que homens adultos, vestidos com um avental, percam o seu tempo nestas reuniões de salão. Mas cada um é como é...já dizia o outro.

1 comentário:

  1. "Porque os seus irmãos, escolhidos segundo critérios pouco claros, de redes informais, por exclusividade, comunicam por códigos, usam nomes simbólicos e praticam juramentos de fidelidade e sigilo?"

    Primeiro de tudo, não existe uma Maçonaria, mas sim várias. Há obediências diversas que inclusive se digladiam entre si considerando-se mutuamente irregulares e com profundas diferenças ideológicas.
    Hoje em dia, a exclusividade e o elitismo na admissão tratam-se de pura ficção. Excepto em uma ou outra loja mais "recôndita", qualquer badameco entra. Os critérios são praticamente nulos ou então uma chachada.
    Quanto aos códigos e a existência de nomes simbólicos, isso muda de obediência para obediência, sendo que em algumas, se calhar na maioria, não usam nomes simbólicos. Os códigos, símbolos, etc. são elementos de uma tradição anterior à Maçonaria que provém das cooperativas de pedreiros e de círculos esotéricos que nada tinham a ver com os maçónicos, a não ser no facto de estes virem a apropriar-se posteriormente de conhecimentos e de símbolos.
    Quanto ao resto, muito se efabula acerca de uma possível influência política da Maçonaria. Como em tudo - até acerca do Opus Dei - as vozes são mais do que as nozes. Tive oportunidade de conhecer muita dessa gente. A maioria vive da pujança semântica dos altos graus. Vivemos num mundo povoado de fantasmas e de vez em quando os homens gostam de brincar aos clubes secretos.

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