2 de julho de 2010

O mau serviço da Comunicação Social em Portugal



Não queria acreditar quando vi esta capa. Por momentos pensei que fosse mais uma das inúmeras brincadeiras de montagem que se fazem pelos blogues. Mas é verdade. Foi a última capa do 24 Horas.

O Miguel Marujo, do Cibertertúlias, vem defender o jornal onde trabalhou 1142 dias, comparando o tipo de jornalismo que ali se fazia com o praticado no Público, no Expresso ou no Diário de Notícias. Diz ele que o sensacionalismo não era apanágio do 24 horas e que todos os jornais derrapam para a coscuvilhice e o sensacionalismo. Pois, acredito. E se, em vez de tentar nivelar o 24 horas pelo Público ou pelo Expresso, em vez de tentar comparar o péssimo ao mau, o Miguel Marujo pensasse em elevar os padrões do jornalismo em geral?

Jornalistas mal preparados, pouco profissionais e, sobretudo, desesperados por conseguirem um emprego nestes meandros de exclusividade são às centenas, ou milhares. Resultado: qualquer trabalho, mal pago e sem olhar a questões éticas serve-se frio numa qualquer redacção perto de nós.

O jornalismo é mau, em Portugal. Digo-o como leitor assíduo e como cidadão. Quando pensa que presta serviço público, apenas lança a confusão, rende-se a interesses políticos, mesmo quando julga que o não está a fazer - é o preço da pouca perspicácia e da mediocridade cultural...

E, aliás, acredito piamente que, juntamente com a corrupção, o excessivo peso legislativo e a morosidade da justiça em Portugal, o âmbito tentacular e clientelar dos partidos, o mau e preponderante papel da Comunicação Social em Portugal, são as causas maiores do nosso atraso.

Atraso mental (no sentido de cidadania) e atraso económico, derivados de tantos e tão maus episódios de intromissão dos media na vida pública e privada, sempre com aquela perniciosa desculpa de zelar pelo bem comum....

2 comentários:

  1. falta-me neste momento tempo para comentar este seu texto, mas noto que não leu certamente bem o meu texto: onde é que defendo "que o sensacionalismo não era apanágio do 24 horas"?! e E se me conhecesse e lesse o meu blogue desde 2003, quando o criei, saberia que há muito tento "elevar os padrões do jornalismo em geral".

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  2. Caro Miguel, obrigado pelo seu comentário.
    Bom, o que eu li foi a defesa do indefensável. Não é pelo facto do Público ter uma coluna de coscuvilhice que isso isenta o 24 horas das suas próprias.
    Conheço o blogue do Miguel, mas uma árvore, infelizmente, não faz uma floresta. E continuo a dizê-lo: a comunicação social, em Portugal, e´, regra geral, medíocre, manipuladora (mesmo sem o saber, disso ter consciência) e tristemente incipiente...
    Talvez seja culpa das escolas de jornalismo, disso já pouco sei.

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