28 de julho de 2010

A morte-memória




Quem pensa que as paredes não sofrem a agonia da morte, nunca viajou ao interior do país. Vive a sujidade das paredes urbanas que se entranha no cidadão como um casaco confortável e quente de inverno. Nas aldeias, as paredes destelhadas, musgosas, sombrias, húmidas e comidas pelos silvados sofrem. E choram. § O processo é invariavelmente comum a todos os edifícios. Primeiro há um som de gonzos e chaves volumosas que trancam tábuas imensas de castanho já descoloradas pela chuva e pelo sol; depois, a erva cresce, as silvas vêm reclamar o seu reino e em poucos meses já o quinteiro outrora movimentado tornou-se um infindo mundo de silêncio. É a morte-memória.

3 comentários:

  1. E as vidas nessas casas vividas são fantasmas que vagueiam por lá para que não fiuqem no esquecimento...
    Abraço.

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  2. ...E não só no interior do país. Sei, na cidade, de muitos edifícios verdadeiras obras de arte que choram a ruína. Eles e eu, quando deparo com eles.

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  3. já tenho há muito enfiado na alma o casaco do abandono em tantos segmentos urbanísticos como humanos...grassa pela vielas chãos de casa bancos e jardins onde a metáfora se escreve lenta como os dias e fria como as noites...
    Enfim o País agasalhado remendado de ideias... que temos cito um Amigo Alfonso Pexegueiro que me diz hoje: "a Europa segue a ser un sonho perdido que xa pensa mais en cómo resistir o seu vazio, que en transformarse ..."

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