11 de abril de 2010

Intolerante com a intolerância.





Desde que comecei a participar nessa rede social chamada facebook que adquiri uma perspectiva muito diferente das relações de um conjunto algo homogéneo de duas ou três gerações. Há pulsões latentes de desprezo, de descontentamento, de amargura em relação a grupos, instituições e indivíduos em particular que destilam ataques e campanhas muito concisas de ódio reprimido na vida real. Dirão: mas o facebook não é um campo de estudo que permita uma análise coerente que possa ser transporta para a sociedade. É verdade. Mas é assustador pensar que aquelas pessoas, com o seu discurso, conseguem mobilizar mais 7, segundo as leis do mercado da publicidade.
É claro que grande parte daqueles indivíduos, que mesmo com perfil são anónimos, ou tantas vezes duplicados (maravilhas da internet) coordenam um discurso muito lógico e muito politizado. E bastante padronizado, acrescentaria. Têm por trás grupos de pressão formal ou informal que utilizam as redes sociais para espalhar uma mensagem, como é o caso do BE e do PNR.
Eu, devo sublinhá-lo, tenho tanto respeito pelo PNR - Partido Nacional Renovador, de filiação fascista e neo-nazi, como pelo BE - Bloco de Esquerda, cadinho ideológico que apoia a ETA e o HAMAS e cita Trotsky. Serei absolutamente trucidado por dizer isto, dado que às tribos que preenchem os meios urbanos, que ocupam serviços e os lugares de uma certa classe média, média-baixa, os filhos-família da burguesia e outros indivíduos-satélite destes - aqueles que votam BE - são a elite do momento. Ocupam tempo de antena de telejornais, dominam as cátedras, entretêm os moderno-literatos .
Mas, para mim, qualquer extremismo é um extremismo, mesmo que um lado dos seus interlocutores ande da cabeça rapada e doc martin e o outro vista calças largas, shirt e use rastas. Não tenho qualquer respeito por eles e é por causa deles que sou cada vez mais intolerante com a intolerância.

2 comentários:

  1. E são esses paladinos da "liberdade" e da "tolerância" que mais ataques à liberdade e ao respeito pelos outros têm manifestado nessas redes sociais e não só.
    Veja-se aqui o que estão a organizar para a recepção ao Papa na sua visita a Portugal.
    Sob a capa da luta contra a Sida e da liberdade de manifestação pretendem perturbar a visita oficial de um Chefe de Estado e simultaneamente do Chefe da Igreja Católica, esquecendo-se do respeito pelas convicções religiosas de milhares de portugueses que acorrerão para o escutar.
    http://preservativospapa.blogspot.com/

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  2. Caro Nuno

    Podes não te ter apercebido, mas este teu dicurso acaba por ser tão padronizado e intolerante como muitos daqueles que mencionas. Usas os habituais preconceitos mainstream, cuja herança é eminentemente democrática e republicana, para invectivares aqueles cujas ideias fogem aos chavões e convenções habituais e às conveniências da propaganda à Causa Real. Reduzir o PNR e o BE aos conceitos que descreves é um critério cirúrgico da mesma estirpe daqueles que começam caças às bruxas, pouco democráticas e liberais, em prol de "ismos" diversos.
    Não me convencem as "normapatias" nem o discurso consensual das maiorias. Também li Karl Popper há muitos anos. Dele distancio-me do ponto de vista ideológico e moral, mas dou-lhe o valor de ele, em assomo de honestidade, se declarar falível e não isento de erro; para além de seus métodos de etudo procurarem excluir preconceitos que sejam fruto de análises rápidas derivados de lugares comuns.

    Desculpar-me-ás, isto nada tem de ver com indignações fortuitas nem com qualquer interesse pessoal, mas nem sempre posso estar de acordo.

    Um Abraço
    Pedro

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