1 de abril de 2010

Cheira a sangue.

Desde as vésperas de 14 de Julho de 1789 que não havia um aroma destes no ar. Cheira a sangue. Nesse tempo, a populaça electrizava por líderes ressabiados, queria, não o poder, mas um desconto nos impostos. Hoje, os líderes são os mesmos, mas não há descontos. A razão é puramente filosófica: acabar com as religiões. A primeira a extirpar é a que faz mais sombra ao Ocidente, embora seja cada vez mais forte a Oriente: a Igreja Católica. A cabeça a rolar, a do Papa. Há muito que se não via uma tal campanha mobilizadora da opinião pública. Se em 1789 os líderes exacerbavam com gestos e gritos um auditório iletrado e analfabeto, hoje usam uma extensão dos membros para propugnar um mundo limpo de padres, cruzes e igrejas. Mas a tarefa não é fácil. Depois do Caos da queda, que arrastará todo um universo institucional de solidariedade a que o ateísmo não conseguirá, nunca, dar forma porque apenas acredita na força individual do homem e não no tecido espiritual do Corpo comum, seguir-se-à a ruína do património edificado. Mas, de Mozart a Miguel Ângelo, da língua à Mente, vai ser difícil matar a Glória do divino. Os ateístas não compreendem isso: que até poderiam ter razão, se se ficassem pela metafísica do pensamento da existência, ou não, de deuses. Partir para uma cruzada actual, com as armas que as igrejas noutros tempos usaram para veicular a sua palavra, retira-lhes qualquer sentido de responsabilidade. Esquecem-se que, num mundo cada vez mais individualista e secularizado, as coisas não estão melhores. O século XX foi a prova provada. E o XXI, nesse aspecto, não começou melhor.

1 comentário:

  1. É de facto uma campanha suja e vergonhosa, mas tenho fé que quem quer que seja que empreende tais actos não consiga alcançar os seus objectivos. A Igreja Católica tem sempre conseguido sabiamente ao longo dos tempos defender-se dos muitos ataques que tem tido. Espero que ultrapasse também esta crise rapidamente.

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