14 de março de 2010

Quem quer mau jornalismo, suporta-o.



Eu não sei quem é o Tiago Salazar. E, sinceramente, não quero saber.
Provavelmente será mais um jornalista daqueles formados em universidades de bric-à-brac, onde tudo se aprende e nada se sabe.
Mas é pena que o Tiago Salazar para além da boa arte de repetir clichés, não tenha bebido da boa prática de confirmar as fontes, mesmo as históricas, que para muitos cada vez mais são adereços folclóricos de uma sociedade sumamente mais info-inclusiva e cada vez mais culto-excluída.
O certo é que numa reportagem ontem publicada na Revista Sábado do DN, a propósito do belíssimo comboio real que parte em breve para um exposição em Utreque, lembrou-se o Tiago Salazar de sacar ex nihilo uma suposta frase dita em contexto totalmente exterior ao do tema versado pelo artigo. Segundo o jornalista (sem citar a fonte), «diante deste espectáculo de ostentação – D. Maria Pia é autora de uma frase célebre dita ao ministro das Finanças que lhe implorava moderação nos gastos: «Quem quer rainhas paga-as!». Talvez o Tiago tenha ido à Wikipédia, ou simplesmente ao Google confirmar a veracidade deste facto, sítios mais do que suficientes para confirmar mediocridades, ou validar competências medíocres. Mas convinha esforçar-se um pouco mais e ir onde já ninguém vai: ao papel, a uma biblioteca, até a um arquivo, quem sabe, fazendo uso do discernimento com que nasceu. Digo eu.
Não acredito nestas frases feitas tão agrado dos oposicionistas e dos detractores do regime. Duvido que tanto D. Maria Pia como D. Carlos ou outro membro de uma Família Real acossada pela propaganda republicana alinhassem nesta guerrilha de boatos e maledicências tão ao gosto da comunicação social de ontem e de hoje. Mas mesmo que o tivesse dito, em nada desilustraria a concretização do comboio que, durante a Primeira e a Segunda República foi vilipendiado como forma de escárnio pelo regime deposto. So much for preserving the heritage...
E mais: embora se tenha referindo à ostentação e à riqueza dos interiores da real composição com um certo desdém, não esqueça o jornalista do DN que são os comboios régios que levarão com certeza milhares de visitantes ao Museu Ferroviário de Utreque.
Duvido que daqui a cem anos alguém faça fila para visitar um dos BMW 760Li onde o cidadão Cavaco Silva locomovia diariamente.

3 comentários:

  1. Nem sempre o que é de bom-gosto
    costuma ser o mais caro,
    nem sempre o vinho mais raro
    tem na base o melhor mosto.

    Entre o trono e o poleiro
    enorme é a distinção:
    senta-se o Rei no primeiro,
    mas o presidente não.

    Ser mulher de presidente
    não tem a mesma importância
    que ser Rainha da gente
    com toda a sua prestância!

    Rainha é sempre Rainha,
    exerça ou não o poder:
    sobre pétalas caminha
    e todo o mundo a quer ver!

    JCN




    JCN



    senta-se o Rei no primeiro

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  2. Sempre que a minha Mulher
    agradar eu desejava,
    era com todo o prazer
    que Rainha lhe chamava!

    JCN

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  3. E que é substituído regularmente, à custa de uma parte dos impostos de papalvos como o dito jornalista. O pior é esses montões de sucata não servem para museu algum: plástico, lata e pouco mais.

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