16 de fevereiro de 2010

Tesourinhos deprimentes.




«Ora, se em simbolismo, a lebre representa o tesouro (Guinguand,1975:122) que outro desenho podia ser posto ante os olhos do iniciado senão uma chave com o próprio símbolo do tesouro? A chave do tesouro. Mas que tesouro? Não, por certo, o fabuloso tesouro material dos Templários, supostamente escondido algures, depois que foi extinta a sua Ordem por Filipe, o Belo, rei de França. Tesouro que alguém procurou aqui, como demonstra a recente coluna da porta principal, lado esquerdo, a substituir a original, partida pelas sacrílegas e ávidas mãos de caçadores de tesouros. Não. Não estava lá tesouro algum. E a chave reporta-se, certamente, ao tesouro do saber esotérico, do saber oculto, a chave que, pelos tempos fora, marcaria presença em tudo o que se ligasse aos Templários. Veja-se o caso de Aleister Crowley, que em pleno século XX, precisamente em 1914, ingressa na Ordem dos Templários do Oriente (OTO), a qual, para garantia dos futuros convertidos diz possuir a CHAVE que abre todos os segredos maçónicos e herméticos, nomeadamente o ensino da magia sexual, o qual explica, sem excepção, todos os segredos da Natureza, todo o simbolismo da Maçonaria Livre e todos os sistemas de religião?»

«Olhe aquele modilhão, lá bem ao pé da cornija, ao lado direito deste contraforte. E aqui nos afastamos dos mestres. Olhe aquela imagem masculina tipo ET


«Já vimos que se dividirmos 360, (o círculo, o infinito) por 5 (o homem), se obtém o número 72 e qque a sua redução teosófica é 9, isto é, pode ser obtido multiplicando o 9 (o céu) por 8 (o Cristo)»

«Desse modo, ao Mosteiro da Ermida estarão para sempre ligadas estas mortes, quiçá amaldiçoado pelas almas penadas que, sem identidade nem enterro cristão condigno, por ali pairam ainda que sobre os escombros das paredes em ruínas.
»

CARVALHO, Abílio Pereira de - Mosteiro da Ermida. Castro Daire: edição de autor, 2001.

Estas são algumas das considerações feitas por um historiador local de Castro Daire, sobre a Igreja da Ermida, uma das jóias do românico em Portugal. O livro é, na sua essência, uma monografia sem visão que tenta sumariar a História do mosteiro e igreja da Ermida, a única da ordem Premonstratense em Portugal e um verdadeiro tesouro da historiografia da arte. Mas com tamanho espólio em jogo e dada a sua importância o que surgiu foi um aglomerado de páginas de considerações e pontos de vista do escritor, registo de impressões com base em leituras de romancistas e outros redactores menos sérios. Segundo o autor, depois da sua análise, ninguém poderá olhar para as siglas da igreja da Ermida «e ver nelas apenas assinaturas de pedreiros sem ao menos submetê-las à prova dos nove do saber oculto». De facto não, tal o hermetismo das suas conclusões. O que me entristece é que o senhor é licenciado em História. E professor. Ou seja, não basta termos poucos historiadores, a maioria deles simples estoriadores
ainda somos obrigados a lidar com maus profissionais que, sem o mínimo de pejo e rigor científico, alinham e veiculam esoterismos.

Mas, como podemos obstar à seriedade tais citações, quando existe uma carta de recomendação ao referido historiador,
publicada no seu site :

«O meu querido Amigo é um Historiador e merece como poucos esse título. Todas as suas obras são metodologicamente correctas e cientificamente sólidas. Além disto, não conheço nenhuma produção sua que não seja aliciante, mesmo para o leitor leigo. O seu currículo fala por si. Depois congratulo-me que, fora dos círculos estritamente académicos, surjam provas insofismáveis de talento e de maturidade no que concerne à produção historiográfica, Ora, o meu estimado Amigo está na vanguarda desta feliz realidade. Só é pena que seja uma realidade tão rara». 
(Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem, Coimbra)

Contra factos não há argumentos...

6 comentários:

  1. Poucos são aqueles imunes ao fascínio dos domínios do mistério. Depois, já diziam os idealistas alemães, a realidade depende dos olhos de cada um. Eles querem ver teorias e conjecturas esotéricas na honesta e abandonada ermida de Castro Daire? Deixa-os consolarem-se. Aliás, a Quinta da Regaleira não dá para todos...

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  2. Vê cada qual o que quer
    naquilo que lhe parece:
    ninguém, diga o que disser,
    pena de morte merece.

    JCN

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  3. Sim, caro JCN, tem razão...mas mete dó...

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  4. Sem prejuízo de quem quer que seja
    expressar possa quanto lhe pareça,
    bom é que, em todo o caso, não se esteja
    a discorrer com falta de cabeça!

    JCN

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  5. Por palavras outras:

    Reconhecendo embora a faculdade
    de cada qual dizer o que quiser,
    recriminar importa, em paridade,
    o que contra o bom-senso se disser.

    JCN

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  6. E agora em arte menor, puxando ao popular:

    Conforme reza a cantiga,
    cada qual pode dizer
    o que bem lhe apetecer
    desde que asneirs não diga!

    JCN

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