24 de janeiro de 2010

Sensibilidade e bom senso: a monarquia segundo Alexandre Herculano




«Olhamos impassivelmente para as doutrinas republicanas, como olhamos para as monárquicas. Não elevamos nenhuma a altura de dogma. Não nos cega o fanatismo, nem perguntamos qual delas tem mais popularidade. É já tempo de examinar friamente, e de discutir com placidez, qual dos dois princípios pode ser mais fecundo para assegurar a liberdade e, depois da liberdade, a ordem e a civilização material destas sociedades da Europa, moralmente velhas e gastas. Persuadidos de que a monarquia, convenientemente modificada na sua acção, resolverá melhor o problema, preferimo-la sem nos irritarmos contra os seus adversários; sem os injuriarmos, sem acusar as suas intenções, recurso covarde de quem desconfia da solidez das próprias doutrinas. A nossos olhos a monarquia existe pelo povo, e para o povo, e não por Deus e para Deus. A existência de um poder público, de um nexo social, é o que se estriba no céu, porque a sociabilidade é uma lei humanitária. A revelação divina confirmou este facto achado também no mundo pela filosofia política. “Por mim”, disse a voz do Senhor, “reinam os reis, e os legisladores promulgam o que é justo”. A sabedoria suprema supôs a autoridade na terra: não curou de que fosse só um que a exercesse, ou que fossem muitos. Aprendamos a tolerância política nas divinas páginas da Bíblia.»

HERCULANO, Alexandre – Opúsculos. Tomo I. Questões públicas: política. Lisboa: Livraria Bertrand, 1983, pp. 267-268

Publicado aqui.

1 comentário:

  1. ALEXANDRE HERCULANO

    Perante ti me curvo reverente,
    arauto-mor da santa liberdade,
    que nunca vacilaste em fazer frente
    a tudo quanto fosse iniquidade!

    Por teu carácter íntegro e austero,
    farol de luz e referencial
    para o país no campo da moral,
    um grande português te considero!

    Tua espinha dorsal nunca vergaste
    a reis nem a políticos nenhuns
    de cuja classe te distanciaste.

    Se Homens da tua olímpica estatura
    em Portugal ainda houvesse alguns,
    talvez o nosso mal... tivesse cura!


    JOÃO DE CASTRO NUNES

    ResponderEliminar

A Democracia exige Responsabilidade individual. Nicks, anónimos ou mensagens insultuosas demonstram faltam de auto-estima, comportamentos associais e incapacidade de lidar com a opinião alheia e, como tal, não serão publicados.