17 de janeiro de 2010

O valor do sangue republicano.

«A República é a concretização política da cidadania plena.»

«Mesmo com a perda de conteúdo democrático da ditadura de Salazar não houve o atrevimento de eliminar essa quase que só aparência republicana (Presidente, bandeira, hino e papel timbrado)».
«Há quem tenha naturalmente boas razões para isso, quem prefira ser súbdito a ser cidadão, quem entenda que se deve preferir a desigualdade à igualdade. [...] Há quem goste disso: quer os que são vistos, quer os que vêem. Uma sociedade tem que englobar tudo: para que haja exibicionistas tem que haver quem goste de assistir a exibições. O importante é que em Portugal não haja uma questão de regime e que a República satisfaça plenamente a realização dos direitos do homem e do cidadão.


O Prof. Romero Magalhães que, pelo menos não comete o erro de dizer que o Estado Novo suspendeu a República, vive num pequeno mundo de faz-de-conta, onde que a democracia se pauta por uma aparência: a da igualdade. Para o historiador coimbrão, a cidadania cumpre-se no republicanismo, tentando, com justificações de ocasionais reinados meritórios, reduzir a monarquia a adereço folclórico. Irrita-se com o entrevistador, quando ele ousa apresentar uma europa monárquica. Apressa-se a qualificar os pretendentes portugueses a odiosos reaccionários, esquecendo que foi um rei - D. Pedro IV - a introduzir. a democracia em Portugal Obviamente, segundo ele, falta fazer a justiça à I República, com o que concordamos. Esse período que que o Prof. Romero se orgulha, o mesmo que preparou a chegada de uma confortável e longa ditadura (para a qual contribuíram os republicanos, pois se afinal monárquicos os não havia) ainda deve muitas explicações à História.
O medo do exercício da contra-factualidade é também revelador: o regícidio foi um mal necessário e nada mais há a acrescentar. Afinal de contas, a igualdade deve vergar-nos todos ao mesmo nível, nem que para isso partamos as pernas aos súbditos, ou seja, obriguemo-los a tornarem-se cidadãos.
O que me espanta é que dentro deste ódio à monarquia e desta obediência maçónica o Prof. Romero aceite esta república de clientelismos, em que a cidadania é título meramente hipotético. Entre doutores, comendas e ordens, continuamos a premiar a mediocridade, não a igualdade. E os filhos continuam a suceder aos pais, em cargos e honrarias, mesmo que aqueles os não mereçam. O Prof. Romero sabe-o melhor do que ninguém. É uma hipocrisia.
A mim, esta República não me satisfaz.

3 comentários:

  1. INTEGRALIDADE

    Quem ama a pátria verdadeiramente
    assume em toda a sua dimensão
    o seu percurso, sem fazer questão
    do sistema político vigente.

    Em novecentos anos de existência
    teve o país inúmeras bandeiras
    com variações de costas e fronteiras
    e tempos de infortúnio e de excelência.

    Além de ditadores e regentes,
    tivemos reis a par de presidentes,
    uns efectivos, outros provisórios.

    Ainda que entre si contraditórios,
    todos estes contornos se entrelaçam
    em filigranas mil que me embaraçam!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  2. HEREDITARIEDADE

    Se filho de rei... é rei,
    não é menos evidente
    que filho de lente é lente,
    como sempre constatei!

    JCN

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  3. Ninguém pode imaginar
    em que consiste o ensino
    para um príncipe formar
    como exige o figurino!

    JCN

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