25 de janeiro de 2010

Flores para os regicidas.

© AFP, Olivier Laban Mattei. Haiti, valas comuns, 2010
A Morte é igual vista de todos os ângulos.


De Flacio Ilirico se sacan proposiciones no menos horrendas. En una palabra, todos los Pseudo-Apostoles de la nueva Religion tienen siempre el Regicidio, las rebeliones, y la sangre en la pluma y en el corazón (*).

SANCHA, Antonio de - La falsa filosofía [...], 1776, Volume 6



Vem um tal João Vaz, historiador, com pouco do humanismo do seu homónimo, reclamar justiça para os regicidas, Buiça e Costa que, a 1 de Fevereiro de 1908, assassinaram o rei D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe. Não o conheço, mas gostava de olhar nos olhos uma pessoa destas. A inconsciência e o fanatismo são, na realidade, soporíferos potentes e que obrigam homens incautos a proferir palavras vãs. A justiça está feita, meu caro: Buiça e Costa aprenderam que não se deve brincar com armas. Pagaram com a morte o serviço que fizeram a quem desejava o poder. Eram peões e morreram como tal. A Morte nunca paga a Liberdade, por muito vaga que ela seja. Não há flores para quem mata, lembre-se disso. Só o perdão, e o esquecimento.

(*) «De Flacio Ilirico retiram-se declarações não menos horrendas. Em uma palavra, todos os Pseudo-Apóstolos da Nova Religião têm sempre o Regicídio, as revoluções e o sangue na pena e no coração [caso ele exista, acrescento eu]».

(**) Manuel Reis Buiça
Alfredo Luís da Costa
Assassinaram o Rei
Foram mortos à proposta
[dizia-se em 1908 que por proposta da Maçonaria, que sacudia a água do capote, um capote semelhante aos que os regicidas usaram para esconder as armas]

7 comentários:

  1. ASQUEROSIDADE

    Em vez de flores para os mausoléus
    onde repousam, postos lado a lado,
    o Rei D. Carlos e seu Filho, réus
    de seu país haverem governado,

    fala-se agora, sem qualquer sentido,
    em pô-las sobre a campa dos vilões
    que desde logo a mando, a rogo ou pedido
    lhes deram morte... como soluções.

    Que falta de decoro isto traduz,
    que falta até de sensibilidade:
    uma atitude destas só produz
    repulsa por tamanha... obscenidade!

    Deixemos à História o seu trabalho
    de inquirir a razão deste enxovalho!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  2. Corrijo o 7º verso, que passa a ter a seguinte redacção:

    que desde logo a mando ou a pedido


    P.S. - É no que dão as pressas, para não perder o comboio... da oportunidade. Reacção a quente! JCN

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  3. EVENTUAL COMPENSAÇÃO

    No fundo às vezes destas reacções
    estão recalcamentos que só Deus
    e o próprio saberão por que razões
    actuam deste modo os fariseus.

    Será que noutros tempos, não distantes,
    em pleno Estado Novo porventura
    durante a juventude ou talvez antes
    educação tivessem para cura?!

    Há que sangrar-se em são, conforme diz
    o popular ditado ainda em voga;
    importa disfarçar essa matriz,
    em vez do cabeção... vestindo a toga.

    Tudo é possível... neste estranho mundo,
    umas vezes gentil, outras imundo!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  4. Levanto os braços ao céu, agradecendo tanta estupidez republicana. seria excelente se a Comissão Oficial da república, aderisse à proposta. Ficava feita a separação de águas. O resto, viria automaticamente.

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  5. SEPAREMOS AS ÁGUAS

    Que disparate seria
    pretender relacionar
    o final da Monarquia
    com a tenção de matar
    o Rei D. Carlos a par
    do seu Filho, o qual iria
    por sua morte reinar!

    Seria a coisa pior
    por questão de pundonor
    para as comemorações
    destas quatro gerações
    que viveram sob a alçada
    da República instaurada.

    Não a sujem, por favor,
    deixem-na assim com está,
    de cara limpa, lavada,
    alma branca, imaculada,
    por forma a terem-lhe amor
    nossos filhos... amanhã!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  6. BELOS POEMAS por tanta verdade conterem...infortunadamente teremos no canto doloroso das palavras os vis actos cometidos...Oh!ignomínia

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