21 de dezembro de 2009

Votos.


"O Menino Jesus, Salvador do Mundo"
Josefa de Óbidos, 1630 - 1684
1673, óleo sobre tela
95 x 116,5 cm
Igreja Matriz de Cascais


As pessoas têm cada vez mais medo de assumir quem são, o que fazem e o que pensam.
Hesitam. Subterfugiam-se e, em último caso, negam.
- O que faz? -Bom, eu trabalho numa padaria, sou técnico de panificação.
Já não existem padeiros, criadas, patrões, empregados, médicos, advogados, professores, religiosos ou crentes, mulheres ou homens. Hoje somos uma amálgama de exigências: ou somos parte de uma minoria, ou esquecidos da maioria. Estamos a diluirmo-nos numa papa insensível. Já ninguém olha as coisas como elas são, se não como a maioria (ou a minoria) quer que elas sejam.
Por isso, agora, quando o Natal se aproxima, as pessoas já quase evitam dizer que gostam do Natal. Ou "não gostam", ou é-lhes "indiferente". Não é "bom", gostar-se do Natal, não é "bom" assumir-se que o Natal é uma festa religiosa. Mas é. Tenham paciência, mas é. Natal provém de Natividade e aquele que nasceu não foi um simples homem, um acidente da história anónima, se não alguém que há 2009 anos mudou a nossa existência e continua a mudar, todos os dias, queiramo-lo ou não.
Por isso, até uma certa visceralidade ter a coragem de acabar com o Natal, nomeadamente extinguindo o feriado de dia 25 de Dezembro (vamos, tenham a firmeza para exigi-lo/fazê-lo!), o Natal não é comércio, nem compras, nem brilhos eléctricos, nem materialidade. É um sentimento, é um conjunto de ideais que fazem sentido a todos - uma linguagem transversal que, é pena, não se aproveite. Independentemente de sermos católicos, muçulmanos, judeus, hindus, ateus ou agnósticos, etc. A linguagem do bem, do querer ser bom e do Amor é das poucas garantias futuras para um mundo melhor.
Por isso, com o espírito do Natal em mente, porque quero sempre ser melhor e porque desejo o melhor para todos, aqueles de quem mais gosto, aqueles de quem não gosto tanto e todos os que não conheço, venho desejar-lhes, a cada um de vós, sem excepção, um Santo Natal.

12 comentários:

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  2. MENINOS-JESUS

    (Poema inspirado no "Conto de Natal" do Prof. Amadeu Carvalho Homem)

    Em cada instante do dia
    nasce um Menino-Jesus
    envolto na própria luz
    que do seu corpo irradia.

    É que todos os Meninos
    quando nascem são iguais:
    só depois os seus destinos
    é que os tornam desiguais.

    Todos choram, todos riem,
    todos brincam e sorriem
    para as Mães que à luz os deram

    Só que Jesus ao nascer
    farto estava de saber
    os martírios que o esperam!

    João de Castro Nunes

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  3. RAZÃO DE PESO


    Quando o Menino-Jesus
    em Belém foi dado à luz,
    já de certeza sabia
    que seu destino seria
    morrer pregado na cruz.

    Por iso, no meu critério,
    é que andava sempre sério
    ou raras vezese se ria.

    JCN

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  4. PALMADAS

    Para o Menino-Jesus
    em toda a sua extensão
    conhecer também a cruz
    de uma boa educação,

    algumas vezes teria
    recebido umas palmadas
    que por sua Mãe Maria
    lhe teriam sido dadas.

    Nada tem de especial
    nem de falta de sentido,
    pois que no fundo era igual
    a qualquer recém-nascido.

    Assim foi que o imaginou
    recentemente um pintor *
    que na tela o retratou
    deste modo inovador.

    Tornou-se assim mais humano,
    mais igual a todos nós
    o Menino soberano
    que ao nosso nível se pôs!

    Só se teriam perdido
    se no chão terão caído!

    * Max Ernst

    JCN

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  5. Caro João Castro Nunes, muito obrigado pelos votos poéticos, que muito apreciei.
    Volte sempre a esta "casa", que é de todos.
    Um abraço

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  6. COMPANHEIROS DE INFORTÚNIO

    Por Herodes perseguido
    e de morte ameaçado
    sem razão justificada
    ou culpa alguma formada,
    Jesus viu-se constrangido
    logo depois de nascer
    a ser um refugiado,
    do seu país afastado,
    e só por isso, a meu ver,
    deve ser considerado
    desde logo o padroeiro
    das crianças foragidas,
    apartadas ou fugidas
    da sua propria nação
    ou postas em cativeiro
    por qualquer motivação!

    JCN

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  7. FARTINHA D'ELE!

    Sem paciência já para o aturar
    pois só falava contra os fariseus,
    a Mãe disse a Jesus,filho de Deus:
    "Toma lá uma bola... e vai brincar"!

    E deu-lhe, sem pensar no que fazia,
    a própria terra que ela tinha à mão
    e que Jesus teria por missão
    remir com sua trágica agonia.

    Mesmo deois de já não ser menino
    a conservou até morrer na cruz,
    como se fosse sempre pequenino.

    Com a bola na mão, dada por bem,
    ainda hoje em dia assim se reproduz
    ao colo da Senhora Sua Mãe!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  8. Altero os dois últimos versos do poema "Palmadas" para:

    Muito embora excepcionais,
    só se teriam perdido
    as palmadas maternais
    que no chão terão caído!

    JCN

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  9. O QUARTO REI MAGO

    Além dos três reis magos que vieram
    guiados por um astro refulgente
    das remotas paragens do Oriente
    e no berço a Jesus ofereceram

    incenso, mirra e ouro em homenagem
    ao Rei do mundo como Deus e Homem,
    há lendas, que nos séculos se somem,
    que falam de uma quarta personagem.

    Era um monarca russo conhecido
    pela sua bondade e que partira
    repleto de riquezas... que ia dando

    pelo caminho aos pobres que ia achando,
    de modo que Jesus desvanecido
    vendo-o chegar sem nada... lhe sorrira!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  10. O QUARTO REI MAGO

    Além dos três reis magos que vieram
    guiados por um astro refulgente
    das remotas paragens do Oriente
    e no berço a Jesus ofereceram

    incenso, mirra e ouro em homenagem
    ao Rei do mundo como Deus e Homem,
    há lendas, que nos séculos se somem,
    que falam de uma quarta personagem.

    Era um monarca russo conhecido
    pela sua bondade e que partira
    repleto de riquezas... que ia dando

    pelo caminho aos pobres que ia achando,
    de modo que Jesus enternecido
    vendo-o chegar sem nada... lhe sorrira!

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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  11. RESPEITINHO!

    Falando sobre coisas nunca ouvidas
    pelas populações de Nazaré,
    Jesus tinha conversas descabidas
    para um hebreu como era S. José.

    Este era da nobreza de Sião,
    mas decaído financeiramente,
    exercendo por isso a profissão
    de simples carpinteiro tão-somente.

    "Não perturbes teu pai,que ele precisa
    de trabalhar e de ganhar dinheiro
    para nos sustentar" - a Mãe avisa.

    - "Não julgues, lá porque és filho de Deus,
    que não deves respeito, por inteiro,
    aos sentimentos dele... antes dos teus!"

    JOÃO DE CASTRO NUNES

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