27 de dezembro de 2009

O ódio por simpatia

Parece que há no facebook um grupo de fãs da mulher que, na indiferença da sua patologia, tentou abraçar o Papa Bento XVI. De um e do outro lado das consciências, aplaudem-se atentados, ou tentativas frustradas de atentados, e isto de uma forma tão vã, tão impensada e tão irracional que a tolerância está cada vez mais longe da dialéctica entre o gostar e não gostar. Nós podemos ser do A ou do B, estarmos certos ou errados, querer o bem ou querer o mal, mas nunca nos devemos esquecer de que a violência é a pior forma de alcançar a razão. Porque é destrutiva para quem a deseja, quem a executa e quem a recebe. E sobretudo aqueles que tantas vezes se arrogam a causas maiores de defesa dos animais e dos menos favorecidos, para quem a Ética é o deus maior, não deveriam, nunca, desejar ou congratular-se com a destruição do seu semelhante. O valor da vida, da dignidade e da integridade humana é uma das conquistas da contemporaneidade. Estamos a regredir e a assistir à eclosão de um novo ódio: o ódio por contágio, o ódio por simpatia, o ódio sem sentimento. Porque odiar, hoje, não deriva de uma pretensa razão, se não de um acto banal de servilismo perante desejos aleatórios e anónimos.

2 comentários:

  1. É claro que tens razão, a violência e o ódio nunca deveriam ser uma opção. Ainda por cima porque contagiam (especialmente nas redes sociais como fala o artigo)e acaba-se a odiar ou a ter pensamentos menos pacíficos e dignos sem muitas vezes ir ao fundo das questões, nem perceber bem as verdadeiras causas. Eu própria dou a mão à palmatória porque é muito fácil ir pelo caminho do óbvio, da maioria.

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  2. Mundo desequilibrado...


    Também eu desejo ao Nuno um Ano Novo Bom!

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