8 de dezembro de 2009

مئذنة


Por não ter costa, talvez a Suíça não saiba o significado, nem a importância de um farol.


A Suíça é tida como um dos países mais democráticos do Mundo. Em alguns ocasiões o seu desenvolvimento, a sua liberalidade, traduzida na proverbial neutralidade que tem mantido face à História recente da Europa, tem sido elogiada por todos. Mas, se o seu aparente multiculturalismo (a Suiça é apenas um cruzamento de várias nacionalidades, sem uma identidade linguística ou homogénea precisa) é o lugar perfeito para uma comunhão edénica de vários interesses não é menos evidente que este bastião de «independência» não resiste à vaga de extremismos nacionalistas que assola praticamente toda a Europa. Muitos, entre os quais não me includo, explicarão com gráficos, inquéritos e metodologias várias a razão destas atitudes contra minaretes (leia-se muçulmanos), mas ainda que não seja sociólogo ou politólogo posso dar a minha opinião: aquele cadinho de culturas tão ao agrado da esquerda caviar, está à beira do melt down. É elementar, meus caros: quando no mesmo cadinho se fundem metais com diferentes massas ou metais que fundem a diferentes temperaturas, o produto final é inconsistente e quebra. O multiculturalismo é uma palavra muito bonita se for aplicada em certos contextos, quando todos estivermos ao mesmo nível de acesso as oportunidades. Hoje proíbem-se os minaretes, retiram-se os crucifixos das paredes e regula-se o uso do véu islâmico. Em algumas empresas inglesas já não se comemora o Natal para não «ferir» susceptibilidades de ateus e outros crentes. Por outro lado expulsam-se emigrantes, prendem-se outro por suspeita de terrorismo (afinal infundada). Então, afinal o que é o multiculturalismo? A convivência que sempre existiu ao longo da história, umas vezes pacífica, outras violenta,ou o que nos querem fazer crer hoje: um falso paraíso onde todos nos amamos incondicionalmente?

1 comentário:

  1. A República é uma ideia. A Monarquia é outra ideia. Já o dizia Sócrates, para quem nem importava que a sua Polis viesse a existir, porque passava a existir como ideia. À parte a forma, o que é obsceno é presumir que o Homem se conclui na barafunda em que caímos. Nunca houve República, nunca houve Monarquia, senão numa ideia.

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