2 de outubro de 2009

O Regime e a Educação.


Eu sou monárquico e não vejo qualquer vantagem numa república, muito menos numa onde as instituições não funcionam (o que não só limita a democracia, mas enfraquece o desenvolvimento e a confiança da economia, males primários de Portugal). Mas há algo que tem contribuído para que, cá, esta engrenagem não funcione devidamente, de tal forma que qualquer que seja o regime ou o governo, cada um deles seja frequentemente abalado por algo que nos é intrínseco: a maledicência e a falta de respeito. Há quem diga que é uma pescadinha de rabo na boca: os políticos não se respeitam entre si, portanto que exemplo terá o "povo" para o fazer. Não, não é assim. Não tem que ser assim. A capacidade de dizermos mal uns dos outros corrói todas as relações e interfere no regulamento da sociedade. Das escolas à política não há respeito, não há vergonha, não há um pingo de decência. O Prof. Doutor Cavaco Silva, filho de um gasolineiro, com todos os defeitos com que ultimamente nos tem presenteado, é Presidente da República. Não é um bandalho qualquer. E, no entanto, tem sido tratado com menos respeito do que alguns criminosos da praça. Isto não é de agora e tem um culpado maior, que se chama Comunicação Social, na sua maioria um grupelho de comentadores mal formados que se tem nos píncaros da importância. E talvez seja mesmo um dos resultados da República que, à pressão, pouco depois de 1910 transformou «padeiros» em «técnicos de panificação» e criadas em «empregadas». E porque todas as profissões têm o seu valor individual o nivelamento forçado da República originou uma massa amorfa de indivíduos-tu-cá-tu-lá, sem brio, sem distinção. Mesmo o Doutor que pela frente é tratado com servil deferência, mal vira as costas está a ser caluniado. Como se muda isto? Já não se muda. A educação e o civismo que devia ser afeiçoado das Escolas desapareceu com a desautorização constante dos professores e com as novas práticas pedagógicas do laissez faire... E reparem que não afirmo isto com tom moralista, a liberdade está aí é para ser usada. É, para mim, a forma como a usamos que nos distingue entre «seres» e «humanos». Eu prefiro a humanidade.

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