19 de outubro de 2009

Caim ou a inveja do outro.

Na foto José Saramago recebe o Nobel das mãos do Rei da Suécia, a quem faz uma vénia.
O respeitinho é muito bom, mesmo para marxistas e republicanos.



Não é o deus do ou no Antigo Testamento que não é muito simpático. Ao que parece (e a memória recente portuguesa é muito selectiva) no rescaldo revolucionário pós-1974 Saramago também não o era. Mas, vamos por partes. Antes da Bíblia ser compilada não existia violência? Por Zeus, Ishtar ou Ahura Mazda! coisa mais ridícula! claro que existia! Os mitos (muitos deles condensados no AT) são, em geral, violentos, arquetípicos de caos e destruição, vingança e inveja. Em suma: da biologia humana. Saramago aparece tarde de mais para nos ensinar o caminho marítimo para a Índia. Mas apesar de ser um cego ideológico, está longe de ser mais um dos estúpidos e néscios de que se compõe o mundo de que falava o Novo Testamento. Saramago, mesmo senil, cadavérico, tristemente marxista e saudosamente leninista sabe quando se deve vergar ante o Rei da Suécia, beijar a mão ao Capitalismo, ou espicaçar as Religiões. É tudo uma questão de timing. Ainda assim, tenho a impressão de que a Bíblia continuará a ser um best-seller, a adoração a Deus prosseguirá e Saramago, morto ou vivo, apenas a lembrança de um nobelitado português.

3 comentários:

  1. A propósito do beija-mão, lembrando um exemplo do passado:

    Há mais de 100 anos, Marcelino Mesquita,célebre e esquecido dramaturgo português,apesar de fero e determinado republicano, foi agraciado publicamente por D. Luís com uma condecoração pelo seu notável trabalho. M. Mesquita, ante a condecoração, feita no Teatro D. Maria, após um seu espectáculo, agradeceu o facto recusando a condecoração do estado, na pessoa de sua majestade, com o argumento de não partilhar da ideologia do monárquica.

    Assim viveu e assim morreu!

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  2. Pois mas não chega respeitar apenas o Rei. É preciso respeitar Deus. E o Sr. Saramago até Lhe devia estar bem agradecido, afinal até ganhou um Nobel...

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  3. Caro Bartolomeu, fossem muitos assim, republicanos ou monárquicos, extremistas ou moderados, democratas ou não democratas. O facto é que tudo e todos se vendem por meia dúzia de patacas. A coerência é demasiado teórica.
    Helena, Saramago pode desrespeitar quem quiser no sossego do seu lar que, curiosamente é numa monarquia. Impingir-nos opiniões recalcadas é que não. Ou, aliás, até pode. Mas perde o seu tempo.

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