20 de setembro de 2009

A pureza original...

«Não, não aconselharei a viagem a Arouca. Além do mais, ainda lá não há nenhum grande centro comercial, nem nenhum hotel, embora a sua residencial seja melhor que muitos. nem nenhuma grande indústria, dessas que poluem rios e ares, embora a terra abunde como poucas em produtos agrícolas de qualidade insuperável.
E se muitos descobrirem as maravilhas do maciço da Gralheira, quase ignorado por geógrafos e viajantes ilustres, ou fizerem como o renomado actor lisboeta que todos os Verões abanca em Arouca, é certo e seguro que dentro de breve algum mamarracho desafiará as linhas sóbrias do mosteiro, o puré de batata entrará na composição dos doces, os frangos de aviário tomarão conta das mesas, o lixo e as barracas povorão a serra da Freita ou Arada, e até o conjunto etnográfico de Moldes virará grupo de rock, ou os redactores da Rurália escreverão em economês.
Por favor, ignorem ou evitem Arouca. (...)

ARNALDO SARAIVA, «O Sotaque do Porto», Edições Afrontamento, 1995

1 comentário:

  1. Pelo que conheço deste país, essa pureza não durará muito. Isto por cá era assim, não há muito tempo...

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