30 de setembro de 2009

Mudos & quedos.

Se seguirem com o vosso rato do computador até ao fundo desta página encontrarão um contador de tráfico (live trafic feed) que permite, embora com carácter impreciso, determinar a proveniência dos leitores deste blogue. Entre outros dados, o contador possibilita-me saber, por exemplo, que a maioria dos leitores chega do Brasil, seguindo-se depois Portugal, etc., e que cada um deles aparece cá depois de uma busca em portais como o Google, o UOL, etc. Acima desse contador há um outro que assinala o número de visitas que o Obliviário recebeu desde a sua inauguração. Recentemente ficou a zeros, apagando as 40000 entradas que já tinha, as quais, hoje somadas à presente quantia de 12000, fariam um interessante número de mais de meia centena de milhar de leituras. Os números não são importantes para mim, mas a proveniência dos leitores é, e deixa-me sempre surpreso. Ainda hoje registei a chegada de leitor um natural ou morador na cidade de Cornélio Procópio. Um topónimo desta estranheza assim não podia passar sem um conhecimento mais profundo. Fiz uma busca e fiquei a saber que Cornélio Procópio é um estado brasileiro do Paraná, cujo desenvolvimento se deveu ao caminho de ferro e que, em 1931, recebeu a visita do Príncipe de Gales. Não sei qual o interesse do procopiense (será assim o gentílico?) no meu blogue, mas fico honrado com a sua visita. Volte sempre, espero que tenha gostado! A internet é, de facto, um lugar estranho. Embora este blogue não seja muito comentado recebe uma média interessante de visitas (os dados são recolhidos pelo Google analitics que me informa da subida de uma taxa de visitas na ordem dos 900% no último mês!) e embora suspeite de alguns leitores, adoraria saber quem é o cibernauta (ou cibernautas) que chega(m) aqui de Braga, Lamego, Viseu, Felgueiras, etc etc. Mas a maioria fica calado o que torna este jogo muito menos interessante e às vezes sinistro. Ainda dizem que a internet mudou toda a nossa concepção do mundo. Tolice. O que eu sinto às vezes a escrever neste blogue não é muito diferente do que sentiria um escritor no século XVIII redigindo algo à luz de uma vela e ouvindo a respiração de alguém do escuro que, em silêncio, e sobre o ombro do escriba, pretendia ler o manuscrito. Acerca dos desejos, pensamentos e intenções do leitor oculto nem a internet na sua magnitude actual me pode esclarecer. O suporte é diferente, escritores e leitores os mesmos. Mas tenho um palpite, que as intenções de cada um o não são.

5 comentários:

  1. O anónimo que deixou uma mensagem a queixar-se do erro do sistema, queira identificar-se. Obrigado.

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  2. Interessante este post-reflexão, ocasionado pela visita de um leitor lá de não se sabe bem de onde, quer dizer de uma cidade com um nome, no mínimo curioso, mas sabemos que , por terras do Brasil, não é grande estranheza... estranho realmente continuam a ser as visitas caladinhas, até se podia escrever um livro sobre o assunto... mas a net, é como diz, apenas liga as pessoas que o desejam e não vou contar aquela história: andava eu navegando pela net um pouco ao acaso pelos sites de genealogia e foi aí que, como numa qualquer coincidência da vida real, eu me cruzei consigo... enfim, este post dá que pensar!!!
    Grande abraço.

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  3. Cara Amiga e ainda bem que há coincidências como essa, que unem pessoas. Uma abraço, obrigado pela visita e, sobretudo, pelo comentário.

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  4. Nuno, a maioria dos teus leitores fica sem palavras com os teus textos, daí o silêncio!..:-)

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  5. Subscrevo a sua perplexidade perante os
    MUDOS E QUEDOS que visitam os blogues e não deixam ficar a "sua graça"... como se vivessemos na Lua! Mas talvez vivamos...essa é a questão. É um diálogo de surdos...no entanto escrever é para mim já e só um exercício catártico e claro que também me sensibilizo sempre que alguém deixa
    um comentário...

    ABRAÇO

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