14 de agosto de 2009

Avante, Camaradas!

Esta história da mudança da bandeira do município de Lisboa pela de Portugal pré-1910, içada no mesmo balcão onde a cinco de outubro daquele ano foi proclamada a República veio esclarecer duas coisas muito importantes. A primeira delas é que no one gives a damn for the portuguese republic. É o mesmo que dizer que os portugueses estão-se nas tintas para a República Portuguesa. Salvo meia dúzia de pseudo-patriotas que apareceram nas várias peças jornalísticas, daqueles para quem o patriotismo máximo é pôr a mão sobre o peito quando toca o Hino nos jogos de futebol, para esses, a República é a Nação e, como tal, deve ser respeitada. Esquecem-se, contudo, que a nação não se esgota em 100 anos. Compreendo, porém, a exaltação desses pobres cidadãos que de História apenas conhecem o primeiro rei de Portugal, a cronologia da carreira do Cristiano Ronaldo e um ou dois acontecimentos maiores dos últimos 20 anos, talvez a Expo, em 1998, e o Europeu, em 2004. De resto, o acto - quanto a mim genial - de remoção temporária da bandeira do município que alguns consideraram uma ofensa (no twitter havia dois ou três repúblico-onanistas que batiam contra o teclado como se estivesse em causa a honra da mãe deles) foi uma demonstração de como os símbolos nacionais andam pelas ruas da amargura e de como o fervor republicano morreu pouco depois de 1910. Nos blogues havia gente insuspeitadíssima, de todas as idades, a comentar o quão bela era a bandeira de Portugal antes de 1910 (detalhes, claro, quando em causa está o futuro de um país, mas...), outros, dado o inusitado da situação, foram "comparar" regimes e, claro, chegavam à conclusão de que uma Europa essencialmente "monárquica" não pode estar errada (muito embora alguns fanáticos continuem a dizer que monarquia não é democracia. Porque no se callan?). Em suma, toda a publicidade é boa publicidade. Aliás, o Bloco de Esquerda sabe-lo bem, é uma das suas estratégias, entrar aos pontapés e urros em celebrações ditas "patrióticas" ou "nacionalistas" com lenços na cara e palavras de ordem (ou antes palavrões de ordem). O mais engraçado é que ninguém espera que eles sejam presos. É normal. São rebeldes. Em segundo lugar, ficamos a saber que, com este acto, e outros com que a ala monárquica do 31 da Armada nos tem já presenteado, inaugura-se um novo período na luta pela discussão da República. É bom que todos percebam que nós, monárquicos, não somos elitistas nem queremos chás dançantes, nem garden partys com tiques aristocratas e restauração de privilégios que nem fazem sentido hoje em dia, nem são a essência de uma monarquia parlamentar, plural e moderna. Aliás, a restauração dos privilégios de uma certa monarquia nunca poderia ombrear com os desta República Portuguesa, tal o número de benesses, cargos políticos e honoríficos que as instituições republicanas distribuem anualmente segundo interesses individuais e corporativos (ordens, comendas, tachos, etc etc). Por isso, pode o movimento 31 da Armada, e todos os que lutem por um Portugal melhor e mais justo, contar sempre com o meu apoio e, neste momento, com a minha solidariedade.

2 comentários:

  1. Venho aqui para aplaudir o comentário e juntar-me á Bandeira que foi hasteada!

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  2. Outra que aplaude e se junta, tardiamente, embora...

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