23 de junho de 2009

O Turismo em Portugal.


Imagem retirada daqui

Ontem, na RTP1, falou-se de turismo. De como esta indústria pode ser importante para a economia portuguesa (!). Pinho, o Ministro de alguma coisa, olhava para a assistência, inchado de empáfia, como o guru de uma tribo, mas a sua face deixava transparecer a ignorância. Foi talvez preciso ouvirem da boca do presidente da Organização Mundial de Turismo que esta indústria podia salvar uma economia em crise, para que todos os políticos presentes vestissem uma cara trágico-patética, de alguém que tinha acabado de inventar a roda. § Recordei então o primeiro dos arrependimentos de Sócrates, recentemente tomado por uma onda de humildade e veemência. Confessava ele estar arrependido por não ter investido mais na Cultura. Talvez algum dos seus assessores, num acesso de lucidez lhe tenha dito: "sabe, senhor engenheiro, se tivesse gasto menos em computadores Magalhães e mais em livros, exposições, na reabilitação do património ou na criação de roteiros culturais, talvez Portugal tivesse mais motivos para acreditar num futuro melhor". § Entretanto, com o seu estilo natural de político profissional, estava por lá o Presidente da Câmara de Baião que também deve já ter percebido (tem formação académica para isso, pelo menos) que as cavacas e os salpicões não atraem turistas e que Eça de Queirós (que, coitado, enfim, lá deu com os costados em Santa Cruz do Douro) serve para trazer às Serras algum dinheirito. Não sei se os seus congéneres dos municípios vizinhos de Resende e Cinfães se encontravam na plateia ou, pelo menos, assistiram - das suas pantufas - ao debate e às conclusões que saíram das profundezas da Mina de Sal-gema em Loulé. Mas espero, sinceramente, que alguém os informe das mesmas. É que cada um deles, trauliteiro político à sua maneira, mais preocupado em inaugurar parques de merendas e arranjos de jardim, tem de perceber, mais tarde ou mais cedo, que o Turismo e a Cultura são factores essenciais para a criação de emprego, dinamização económica e social e um dos pilares do progresso sustentado de que as normas europeias tanto falam. E o tal Turismo, que ontem era de sol e praia, hoje exige novos conteúdos que a paisagem, a gastronomia e o artesanato, só, não asseguram. Eu espanto-me como ainda há quem pergunte que serve a História ou para que serve o Património. Aparentemente para nada, ou para muito pouco, pelo menos em Portugal. § É claro que no resto da Europa serve para, entre muitas outras coisas, fazer dinheiro.

2 comentários:

  1. Distinto Nuno Resende, não poderia estar mais de acordo com o que afirma neste texto e que felizmente para mim, venho afirmando igualmente há seguramente trinta anos. Não percebo muito bem para que serve vender salpicões, chouriças, morcelas e presuntos em feiras que se inventam para expor tais vitualhas suínas, sabendo que os médicos são unânimes em não os recomendar como alimento saudável. De uma boa «almoçarada ou jantarada» se for feita entre convivas que se estimam, recordam-se não as "entradinhas, o primeiro ou segundo prato, complementando-o com uma sobremesa redundante, que apenas tem como fim último arredondar estômagos, que deveriam ser musculados pelo exercíciio físico, mas sim os temas de conversa, os conteúdos de uma viagem, ou uma exposição temática.
    À parte, se me permite, as «alfinetadas» político/autárquicas seria sem dúvida um ótimo artigo para jornal diário, ou não o podendo ser, quinzenário, pois também às pequenas terras urge dar a saber realidades que vão emergindo lentamente nos seus espíritos crucificados por ideias fixas, nascidas há 70 anos atrás...

    Forte abraço e parabéns

    José Oliveira

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  2. Também já digo isso há muito tempo...

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