8 de junho de 2009

Eleições Europeias em Portugal: uma síntese.




Há vários pontos a sublinhar que decorrem dos resultados eleitorais de ontem: a derrota do PS português e europeu, a pulverização dos votos e da tradicional binomia PSD/PS, e o aumento dos votos brancos ou nulos. A abstenção em que refugiam, sobretudo, os vencidos, nada diz. As eleições fazem-se com os que votam. E quem vai às urnas, ainda que não escolha nenhum dos partidos, está a enviar uma mensagem. Sócrates parece não ter percebido o cartão vermelho - o discurso da derrota foi como o são todos os seus: traçados seguindo uma filosofia de invencibilidade e de irredutibilidade preparados por assessores de imagem com PhD em marketing político. Certo é que não se trata de uma derrota nacional: se Portugal virou à direita a Europa também. Mas não deixa de ser expressiva a subida dos "independentes" ou não filiados. A Europa está a humanizar-se, e ainda bem. Voltando a Portugal o Distrito de Viseu, por exemplo, voltou a ser "laranja". Em Cinfães, um dos três bastiões socialistas daquele distrito os resultados são expressivos: PSD - 38.18%; PS - 34.93%; CDS - 8.58%; BE - 5.57%; CDU - 3.92%; PCTP/MRPP - 1.01%. De resto estão de parabéns, para além do PPD/PSD, o CDS/PP e o BE, embora não compreenda bem a festa deste partido populista: ao arruinar o PCP (retirando-lhe eleitorado vital), arrasta toda a Esquerda com eles e (bom, felizmente), impedirá o PS de conseguir a maioria absoluta. A confirmarem-se resultados semelhantes nas legislativas, uma coligação PSD/CDS poderá levar a Direita ao poder. E o BE continuará a reinar como até hoje: entre as franjas alternativas da sociedade que votam para nada mudar, apenas para serem do contra.

3 comentários:

  1. Tinha já pensado na possibilidade da coligação PSD/CDS- deixassem - se eles de turras...

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  2. Caro Amigo.

    Eu não tenho partido, não consigo, no universo disponível, escoher um. Por isso, não vou às urnas. E nao compreendo, mesmo depois de ponderar os seus argumentos, distinguir substacialmente um voto nulo ou branco de uma abstenção, senão que a abstenção é muito mais apelativa significa que a maioria dos portugueses se dissociou conclusivamente dos discuros e das práticas dos partidos que alternam o poder e mesmo daqueles que ansiam pelas migalhas no quadro da estrita necessidade de ua coligação. Ao absterem-se sim, os portugueses estõ a fazer um sério aviso, não a um partido esecífico, as a todos, seja, a continuar assim, o que está em causa é a legitimidade do regime. E isso, sim, é um sério aviso.
    Porque deixar um voto nulo, ou branco, sugerindo a adesão a uma solução no quadro dos partidos presentes a eleição, tmbém não se compreende.
    E é com toda a amizade que lhe transmito isto. Não vão o raio dos partidos, como os clubes de futebol, protagonizarem fracuras entre as pessoas, que continuarão a ter tanto espaço de partilha de interesses e ideias, que nada têm que ver com eles.

    Um abraço.

    Manuel

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  3. Caro Amigo,
    Compreendo o seu ponto de vista. Também já me abstive pelas razões que invoca. E tem toda a razão quanto à dissociação das práticas dos partidos que, são, na sua maioria destituídas do verdadeiro serviço à res publica. Aliás, há muito que deixei de acreditar numa democracia partidária, sugerindo um regime transversal à sociedade, que se pautasse pelo mérito e pela participação supra-partidária.
    Um abraço

    N.

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