15 de junho de 2009

Crónicas de uma viagem II

Estação ferroviária de Toledo Comboio Madrid-Toledo

El Berrón - entroncamento ferroviário de linha estreita Tren del Cantábrico

Fotografias (de cima para baixo, da esquerda para a direita): 1 Estação ferroviária de Toledo (em estilo neo-árabe); 2 aspecto do interior do comboio interregional entre Madrid (Atocha) e Toledo; 3 Entroncamento ferroviário de El Bérron, onde se cruzam as linhas estreitas que servem Oviedo, Santander e Gijón, todas electrificadas; 4 O Tren del Cantábrico. É possível, desde Bilbau ou Santander apreciar os montes Cantábricos e as Astúrias num comboio-hotel que circula em via estreita. Seria o equivalente a ir do Porto a Bragança em comboio, algo que já foi possível e hoje é mera utopia.

Não é preciso ir à China, ou melhor, não é preciso ir a Espanha para ver que, tal como está projecto, o TGV não tem sentido absolutamente nenhum em Portugal. Espanha construiu e continua a construir as suas linhas de alta velocidade em tempo oportuno, seguindo as demandas do mercado. Unir Barcelona a Madrid faz sentido. Madrid-Sevilha, também. E, seguindo a tendencial força tentacular da capital da Península Ibérica, chegar a Lisboa pode, talvez, ser um bom negócio para os castelhanos (embora chegar a Sines ou a Leixões seja bastante mais vantajoso para a economia de nuestros hermanos). § Andar a brincar aos comboios num país que encerra linhas turísticas porque são uma ameaça para os seus passageiros, ou que não investe em ligações ferroviárias regionais e interregionais claramente viáveis (e refiro-me às ligações a Bragança e Viseu, por exemplo), é um perfeito dislate. Mais um, aliás, com que nos brindam os governos e os governantes da III República. Sim, por que no que concerne a politiquismo, despesismo e má governação, Sócrates não só não dá cartas, e não foi o inventor dessa fórmula que dirige este país há 30 anos. Devemos recordar o glorioso Cavaco Silva que inundou o país de cimento e asfalto, distribuiu uns quantos Range Rovers a meia dúzia de patos bravos e hoje empoleira-se na cadeira do poder como uma virgem vestal, púdica e recatada. Afinal, tudo começou durante o seu consulado: os dinheiros europeus enebriaram todos, desde o presidente da junta até ao Ministro dos Transportes e foi um corrupio. O que se vê hoje? "Prédios Coutinho", o lixo visual da cidade de Braga, o Centro Cultural de Belém e umas quantas ic's esburacadas que ligam meia dúzia de vilórias do interior. Os caminhos-de-ferro não progrediram, as estradas só servem para fugir e o ambiente aguentou com as consequências de anos e anos de más políticas (passamos das etar's para as eólicas como se nada fosse...). Bom, isto tudo para dizer que se em Espanha o TGV funciona, um comboio a circular em via estreita também. E está electrificado, coisa estranha e nunca vista em Portugal. É possível atraversar-se as Astúrias e os montes Cantábricos (Santander-Oviedo e Bilbau-Léón) em carris de ferro de bitola estreita. Em Portugal a ligação Porto-Salamanca (que mais rapidamente nos aproximava à Europa) foi fechada porque o seu rendimento não conseguia assegurar os benefícios do conselho de administração da CP. Ganharam os lobies das empresas de autocarros que, não só contribuiram para o desgaste das estradas portuguesas, promoveram o trânsito e a poluição em escala nunca antes vista e (porque ninguém pensa nisso) tornaram as estradas menos seguras. Eu nem quero alongar-me a falar da linha que liga Oviedo a Leão. A foto abaixo é apenas um vislumbre do tipo de locais por onde ela passa (ou melhor, serpenteia) - está electrificada e equivale a uma das nossas linhas suburbanas, embora no percurso sirva apenas meia dúzia de aldeolas. Parece que é rentável. § Ou os administradores da RENFE ganham menos que os da REFER/CP, ou alguém em Espanha leva o curso de engenharia até ao fim.

Vista do comboio entre Oviedo e Leão

1 comentário:

  1. É por estas e por outras que 1640 poderá ter sido uma birra monumental de uns tanto reunidos no palácio dito da independência.

    Abraço

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