9 de maio de 2009

Viva a República Portuguesa! ...- Viva o quê?

Nesta imagem, a República, já maternal e composta, pede por um Estado Forte.


A Comissão para as Comemorações para o Centenário da República Portuguesa vai gastar milhões de euros (leram bem, milhões) para levar a cabo um programa de relançamento da imagem do regime. O mesmo é dizer, vai branquear a História. Soube agora, pelo Estado Sentido, que o Terreiro do Paço onde D. Carlos e o Princípe D. Luís Filipe foram assassinados por dois fervorosos republicanos será o epítome deste maravilhoso mundo novo que eclodirá do 5 de Outubro de 2010. Embora considere as comemorações, acima de tudo um roubo (mais um a que nos habitou o regime e os seus governos), não me deixam particularmente aborrecido. Porquê? Simplesmente porque tudo ficará na mesma. Ou talvez não e sirva mais ao movimento monárquico esta onda de súbito republicanismo patriótico pois afinal de contas o momento não é o melhor para comemorar o que quer que seja. Entre despedimentos, a recessão e todo o aparato económico tecido à sua volta quem é que vai querer saber da República? De mais a mais já ninguém comemora o 5 de Outubro - é só sair à rua nesse dia e ver quem é que anda com bandeiras na mão, a celebrar o heróico feito de meia dúzia de oportunistas. A D. Maria que mora num apartamento nos subúrbios de Lisboa com 4 filhos para criar e com um marido doente, que sai de casa todos os dias às seis horas da manhã para apanhar 3 autocarros e o metro - isto tudo para ganhar menos de 500 euros - quer lá saber do centenário da República. Neste país sem rei nem roque aquela senhora meia despida há quase cem anos depois está quase pútrida e não vale um tusto furado. É preciso cobri-la de ouro - ouro que os seus contribuintes e cidadãos nem podem pagar - para exibi-la ante uma plateia de desinteressados.