23 de maio de 2009

Cinfães: o latejo da ancestralidade.

A origem do nome parece ter sido Cynfanes. A vila de Cintiles procederá de nome pessoal, no genitivo Cintilanis ou seja "Cinfilanis villa". A meio da vertente, que se empina do Montemuro ao rio Douro, surge o burgo, ufano dos seus ínclitos horizontes. Com seu ar bucólico, os cheiros campesinos e toda a sua graça campesina, com casas trajando o rio, eiras amedondadas, canastros de tabuado com pés graníticos. Castanheiros a testar a correnteza do espaço.
O terreno é retalhado por minifúndios, em que cada um possuiu o seu campo. Propriedades com a respectiva casa, riais ou menos patriarcal, o que transmite ao concelho uns latejos de ancestralidade. Quase todas as casas estão viradas para o rio Douro, e enquanto umas se apresentam com fachadas nuas, outras carregam, com dignidade os respectivos brasões. Da multiplicidade de casas, quintas e solares, destacam-se: Santa Bárbara (Sequeiro Longo). Casal (Casal de Civliies), Soalheiro (Cidadelhe), Chieira (Teixeiró), Bouças, Bouça, Paço (Travassos), Tintureiros, Fervença (vila de Cintiles), também conhecida por "Paço". Na área da freguesia aparecem topónimos que podem funcionar como interessantes pistas de pesquisa, como Contença, Travassos, Lagarelhos, Pedra Escrita (em Vila Viçosa), Pias (este talvez derivado de sepulturas abertas na rocha e, por ventura, ali existentes). Dos romanos ficaram as vilas de Cidadelhe.


Este texto, extraído do novo site da Câmara Municipal de Cinfães, multiplica-se por páginas e páginas da internet. Por ter sido colocado num espaço oficial, os leitores tomam-no por verdadeiro, e reproduzem-no. Mas não passa de lixo. O mais leigo pode considerá-lo obra literária de um erudito maior. Porém, quem tenha dois dedos de testa ao lê-lo perguntará: que algaraviada é esta? É afinal isto a história de Cinfães, meia dúzia de adjectivos e substantivos ou mal escritos ou mal aplicados: "burgo ufano dos seus ínclitos horizontes?"; "empina?"; "O terreno é retalhado por minifúndios, em que cada um possuiu o seu campo?". Quem é que escreve estas parvoíces? Ao que parece Eistein e a Bíblia teriam concordado numa coisa: o número de estúpidos é infinito. Infelizmente concentram-se mais em alguns lugares do que noutros. § Já era tempo para os governantes de certos municípios compreenderem que o turismo, outrora sustentado por clichés mal alivanhados de sol, praia e paisagem, já não convence o auditório, sedento por cultura e informação concisa, mas educativa. É isso que faz o sucesso de Serralves, que leva milhares de pessoas à feira medieval de Santa Maria da Feira, ou que atrai visitantes ao fluviário de Mora, em pleno alentejo. Agora os "latejos de ancestralidade" assustam até o mais ignorante.