20 de maio de 2009

Antony, o iluminado.



Graças à intervenção providencial de uma amiga (e este é o meu agradecimento público para ti!) pude assistir anteontem a um concerto que aguardava há muito, pelo menos desde 2005. Nessa altura Antony and the Jonhsons apresentaram-se na Casa da Música. Eram já, internacionalmente, um caso raro de devoção. De facto não é para menos: a voz de Antony Hegarty é inigualável e a sua imagem um estranho caso de excentricidade inata. Mas tudo isso se anula na modulação da voz, do piano e ocasionalmente do saxofone e do violoncelo. O concerto, no Coliseu, foi extraordinário. E a presença de Antony em palco também. Pouco habituado a um público mais rufia, como o do Porto, respondeu a piropos, falou sobre Obama, referiu o seu paganismo e o conflito mais ou menos declarado com o catolicismo de infância. Não obstante, prevê a chegada de um Cristo feminino que andará sobre as águas e converterá o mundo a um amor universal. E não esqueceu de referir as preocupações a nível ambiental: se temos consciência de um problema somos responsáveis pela sua solução, disse. § Se a solução passasse por Antony com certeza que a sua voz chegaria ao âmago dos corações mais empedernidos.