4 de abril de 2009

Triste figura.

Não sei se por coincidência, se por provocação, um amigo enviou-me uma crónicas das que já nos habitou o senhor Miguel de Sousa Tavares. A crónica intitula-se "Tristes trópicos, triste papa" e, entre muitas coisas, diz o seguinte:
«Os Papas gostam muito de ir a África. São viagens que asseguram sempre uma grande cobertura mediática, estádios cheios de multidões com bandeirinhas que não entendem nada do que o Papa lhes vai dizer nem estão lá para isso, discursos de efeito fácil e inócuo contra a pobreza e o subdesenvolvimento que ficam sempre bem à imagem de uma Igreja preocupada com questões sociais. De caminho, os Papas não se preocupam nada ou quase nada com a caução que dão às ditaduras que visitam, à corrupção que elas praticam e à miséria que promovem.
(...)
No curto espaço de três semanas, este infausto Papa, imposto por longas manobras da cúpula 'negra' da Igreja Católica, conseguiu mostrar o pior de si mesmo. Primeiro, levantou a excomunhão contra o arcebispo nazi inglês Williamson e a sua seita anti-Vaticano II e apenas duas semanas depois de ele ter repetido que o Holocausto era uma invenção dos judeus; depois, defendeu e confirmou a excomunhão decretada pelo arcebispo de Olinda e Recife contra a mãe e os médicos que procederam ao aborto de uma menina de 9 anos (!), violada repetidamente e engravidada pelo padrasto, e que nem sequer percebeu que estava grávida e tinha deixado de estar; enfim, decretou, ao pisar África, que o preservativo não só não serve para atacar a disseminação da sida como até "a pode agravar". E isto, em nome da "vida". Que saberá o Papa da vida? Como é que algum católico, a começar por ele próprio, pode acreditar que Deus fala por ele?
(...)
Enquanto se ocupa a excomungar médicos que salvam a vida a uma criança violada pelo padrasto, Bento XVI prepara-se fatalmente para dar sequência ao que seria apenas uma anedota portuguesa, não fosse também uma vampirização da nossa História: fazer de D. Nuno Álvares Pereira santo, só porque uma senhora de Vila Franca de Xira se queimou com o óleo da cozinha, rezou ao beato e curou-se... graças aos médicos que a assistiram e às defesas do organismo. E fica em silêncio quando tantos devotos católicos e financeiros, seguidores do também beato Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei, levaram o culto de vendilhões do templo a tal extremo que conduziram o mundo a uma crise global e reduziram milhões de pessoas à moderna escravidão do desemprego e da pobreza. (...)»
Eu devo dizer que gosto tanto de Ratzinger como de Miguel de Sousa Tavares. Mas enquanto me devo preocupar mais com as acções do primeiro, pois da sua importância deriva ainda muito da ordem mundial, o segundo pouco me transmite que não a sombra de uma personalidade imbecil, medíocre e arrogante que em nada, mas nada, honra o nome genial da sua mãe e o carácter vertical do pai. Para além de uma nulidade como escritor, este senhor, com uma língua bífida e viperina, enche as paragonas de jornais com dislates e ocupa tempo televisivo a insultar metade do país sem perceber que não vale absolutamente nada. § Não sei que tipo de mensagem querem fazer passar os seguidores desta mensagem de Miguel de Sousa Tavares. Ódio à Igreja Católica? um ódio dissimulado, talvez, quando provavelmente os mesmos que odeiam são capazes de beijar a mão a bispos e padres apenas para subir no escalão hierárquico da sociedade. Sim, não vou mentir e dizer que faço um balanço positivo do pontificado de Bento XVI. Não me agrada a influência da Opus Dei e já manifestei aqui o meu descontentamento quanto à questão do preservativo e da sexualidade abordada pela IC. Não tenho que fazer de advogado do Diabo ou, neste caso, do Sumo Pontífice da Igreja Católica - mas algo me diz que um dia descobriremos como não adianta colocar as culpas nos deuses e nos seus sacerdotes, quando o mal vem de dentro de nós.