20 de abril de 2009



Ontem, num programa sobre a monarquia inglesa, o ex-chefe de governo Tony Blair sublinhava a experiência e o conhecimento político da rainha Isabel II. De facto por ela passaram 11 primeiros ministros, o primeiro deles Winston Churchill. Desde que enverga a coroa britânica, a rainha já assistiu e participou na recuperação de uma Europa devastada pela Segunda Grande Guerra, a períodos de prosperidade e recessão, ao declínio e ao crescimento. Com Margaret Tatcher assumiu o controle de uma maiores potências mundiais, lidando com questões tão graves e sensíveis como a Guerra das Malvinas ou a crise do carvão. § Que valor tem a experiência de meio século contra o oportunismo perene do método republicano? Os presidentes da república, içados, na sua maioria, de grupelhos facciosos, lobbies partidários e económicos, servem o instante, o momento, num jogo perigoso e incerto de contrabalançar o papel de chefe de estado com o do chefe governo. É uma balança que pende perigosamente ora para um lado ora para outro - quando não está, aliás, viciada... § O rei é criado para reinar, acima dos políticos. A sua experiência pode ditar a interferência, mas o seu papel de conselheiro diz-lhe que a sua maior função é a de representante máximo da nação, regulador permanente das instituições e garante da estabilidade governativa da res publica. Em Portugal, há arrepios e pruridos quando se fala em reis pois ainda não ultrapassamos a barreira dos privilégios. Curiosamente a sociedade portuguesa assenta toda ela no desrespeito constante do princípio de igualdade: as cunhas, a corrupção, oligarquias de banqueiros, políticos e famosos desfilam impunemente pela passadeira dos desmandos. Podemos pois dizer que a República Portuguesa é um pouco como aquele governo descrito por Agostinho da Silva: "não passa de uma vaca. Devemos dar-lhe palmadas no rabo e tentar tirar-lhe o leite, é para isso que ela serve".