6 de abril de 2009

Há lugar para mais partidos políticos em Portugal?



A pergunta é pertinente se pensarmos que o binómio PS/PPD-PSD está esgotado. O sistema não é igual ao rotativismo dos últimos anos da monarquia constitucional, mas tem o mesmo efeito de desgaste. Já me questionei se uma recente multiplicação de partidos ajudará a mudar este panorama. É provável que não. A força tentacular instituída por 30 anos de repartição de poder dificilmente poderá ser esvaziada. Mas pode enfrentar-se. § Por conseguinte também não acredito da extremização ideológica. É perigoso que a balança penda demasiado para cada um dos lados, quer para uma direita tradicionalista e demasiado presa à Igreja, quer para uma esquerda trauliteira e de modas, como a que o BE quer trazer para a sociedade portuguesa. Infelizmente o Centro não me convence, sobretudo porque Tony Blair e a sua ideia de uma via para a frente, me faz lembrar o triste consulado Bush e a sua ideia imperialista para um mundo conflituoso. Não há um único partido, em Portugal, pelo qual pudesse militar, mas não posso deixar de sentir cada vez mais respeito pelo Partido Comunista. Estranho, para um monárquico? Não me parece. A ideia de uma sociedade onde as classes se diluam combina perfeitamente com a ideia de uma monarquia ao serviço da verdadeira res publica - a coisa pública. O problema das sociedade não é o chefe de estado, mas a forma como se organizam na pirâmide sobre a qual ele eleva. Talvez me aproxime, segundo este pensamento, ao Integralismo Lusitano, que procurava uma monarquia orgânica, sem preocupação pela existência de uma aristocracia (que quanto a mim pode bem dispensar-se) ou uma plutocracia. Apenas o rei, pai, titular, símbolo. Bom, mas não obstante julgar que a democracia deve premiar o mérito e não os partidos, que estes constituem, cada vez mais, grupelhos de redes de clientelismo e influência, degraus para a consagração de medíocres ou para a ocultação de crimes (caso Freeport?), não posso deixar de saudar o aparecimento do Movimento Esperança Portugal encabeçado pela Laurinda Alves, jornalista cujo trabalho, escrita e ideais prezo muito. Entre os vários pontos e tópicos do manifesto político do MEP (que pode ser consultado aqui) salientaria este (Ponto V): «a afirmação da subsidiariedade como base da governação da sociedade; das organizações da sociedade civil como actores principais; do reforço do poder e da responsabilidade do cidadão; da transparência dos processos e das decisões políticas; da cultura de participação e discussão política em todas as idades; da dignificação da política.» Este novo «partido» ou movimento, situa-se ideologicamente ao centro, resguardando valores cristãos. Não sei se singrará para cumprir o seu manifesto, mas desejo aos seus promotores e, sobretudo, à Laurinda Alves, o maior sucesso pela simples coragem de, num país de hábitos e «cunhas», lançar-se num projecto tão audacioso.