20 de março de 2009

S. Paulo c. 1470-80 [Nuno Gonçalves]
óleo sobre madeira 135 x 83 cm
Museu Nacional de Arte Antiga
Lisboa, Portugal
retirado daqui

Si Dios ha hecho este mundo, yo no quisiera ser Dios. La miseria del mundo me desgarraría el corazón.
A. Shopenhauer
Todos os dias peço a Deus para que me não me deixe abrasar pelo fogo do ateísmo e das heresias, tão avassaladora é, cada vez mais, a malvadez humana. Não falo do dia-a-dia e das pequenas estratégias que marcam a pequena cupidez aflita de quem nos rodeia. Refiro-me do veneno com que a comunicação social nos inocula, todos os dias. Quantos Joseph Fritzl haverá neste mundo doentio? Não é com moralismo que o digo. É com náusea. Quero um deus justiceiro, como o Cristo medieval, que castigue com pragas severas esta humanidade patologicamente má. Quem sonha ou executa sevícias das que cruelmente nos descrevem esses agourentos arautos é a prova mais do que provada que somos intrinsecamente maus e não buscamos ser melhores. Já saldamos as dívidas entre nós. Atingimos a o grau máximo da escória. Deus, Cristo Pantocrator, São Miguel ou esse São Paulo misógino e moralista que agora se comemora: brandam a espada sobre as nossas cabeças, deixem-na cair e antecipem o juízo final. Dêem-nos paz.