25 de março de 2009

Quem pára esta gente?

(c) N.R.

Acabo de saber que as empresas CP/REFER decidiram fechar o serviço ferroviário entre Livração e Amarante (Linha do Tâmega) e Régua a Vila Real (Linha do Corgo), alegadamente por razões de segurança. Não posso deixar de ficar indignado. Que país é este que vai investir de milhões de euros no TGV para servir meia dúzia de tecnocratas e esquece as populações do interior? Que enche as serras e as planícies com inestéticas e caríssimas torres para produção de energia eólica mas cede ao lobby automóvel? Rio-me quando ouço o senhor Sócrates Pinto Sousa dizer para os portugueses comprarem painéis solares e uma das empresas públicas do país não investe na electrificação da rede e fecha linhas férreas porque não são rentáveis ou não são seguras (e no entanto os seus administradores são pagos a peso de ouro). Que espécie de políticos e gestores são estes que não compreendem ou não querem compreender que as linhas férreas só são rentáveis quando nelas se investe? O que a Cp/Refer tem vindo a fazer é crime. Há anos que as empresas Cp/Refer prestam um mau serviço, não obstante os recentes esforços de modernização: o material circulante é, na sua maioria, antigo, desconfortável e obsoleto e as infraestruturas de apoio estão degradadas e inoperacionais. As vias férreas fecham a um ritmo alucinante desde os anos 80. Cidades capitais de distrito como Bragança, Vila Real, Viseu, pólos universitários e com um grau de desenvolvimento que o exigia, não têm serviço ferroviário. Aqui ao lado, em Espanha, até uma via férrea de bitola reduzida (como as transversais ao Douro) está electrificada. É óbvio que ninguém fará nada quanto a estes encerramentos. Ninguem levantará a voz. Somos um povo de indolentes amorfos. Conquanto não nos venha a casa prejudicar, nada faremos. Tendo carro e gasolina, este é apenas um problema de meia dúzia de parolos do Douro, na sua maioria velhos, crianças sujas, homens e mulheres sem formação. E de facto é verdade. Se não são dignos nem capazes de usar o TGV, não contam para os números do desenvolvimento económico.