15 de fevereiro de 2009

Bowling for Columbine


Ontem à noite, na RTP 2, pude rever o documentário do polémico Michael Moore intitulado Bowling for Columbine sobre o massacre perpretrado em 1999 por dois jovens que assassinaram 12 colegas e um professor num liceu do Colorado. O filme é uma viagem pela demência humana - uma demência apatológica derivada da aplicação do medo para controle da liberdade e da sanidade dos indivíduos. A determinada altura M. Moore, na irreverência que se lhe conhece foi entrevistar o cantor Marily Manson - a quem, pela suas atitudes artística e social, imediatamente foi imputada culpa indirecta no massacre - o qual referiu algo de que nos esquecemos: tudo é medo, hoje em dia. Caso para aplicar o ditado que diz antes temer do que amar, eis o lema dos Estados modernos. § Todos os dias somos bombardeados com violência, com agressividade. Lentamente o nosso organismo vai absorvendo este veneno: doenças, insegurança, morte, sangue, crise. Como referia Marily Manson os jovens crescem num mundo em que o medo comanda: SIDA, desemprego, uma educação cada vez menos cativante, etc. Pura e simplesmente não há esperança. Nem futuro. É difícil enquadrar dois jovens armados e homicidas neste cenário? Não. A culpa não é só de Hollywood e dos filmes sanguinários nem dos artistas irreverentes. É nossa, é dos políticos e dos grande empresários que ganham com o medo e o conduzem para prossecução dos seus objectivos. Daquela América fracturada, de loucos armados, vem agora o desespero do desemprego, das dívidas, da incapacidade para assegurar um futuro às gerações futuras. Talvez se adivinhem novos Columbine, mas o mais preocupante é a incapacidade de parar esta torrente de desgraça que nos impede de lutar contra a corrente. Será que algum dia , por uma hora, por um minuto que seja, não podemos ser felizes e corajosos? Ou, pelo menos, querer sê-lo?

4 comentários:

  1. PARAR! PARAR mesmo...é o que não fazemos! Urge repensar avaliar, olhar a VIDA. Colher a dádiva bem á nossa frente...Querer!

    Serpenteia o medo, corre atrás de nós como se tivessemos nascido culpados(pecado original?) No que se vê,escuta e ouve se cultiva...

    Somos donos do nosso destino está em nós reverter
    este FIM Anunciado...Abraço Amigo

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  2. Parafraseando VPV, o mundo está perigoso; e em queda-livre, acrescento eu...

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  3. Para mim o mundo está tão perigoso como sempre esteve. Em todas as épocas da história da humanidade houve sempre quem achasse que dantes é que era bom, isto agora está uma desgraça, etc...A diferença é que agora os perigos são mais divulgados através dos meios de comunicação e as pessoas têm mais consciência do que se passa à sua volta. Eu tenho uma visão optimista do futuro, nunca o Homem viveu com tanto conforto, higiene, Conhecimento...é certo que há preços a pagar por isso e há milhares de coisas imperfeitas na nossa sociedade, mas acho que o balanço da nossa evolução é bastante positivo.

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  4. Caras Amigas
    Como diz a Helena de Tróia, o mundo está perigoso como sempre esteve. Mas a diferença entre um certo Mundo Antigo e o de hoje, é que um grupo de indivíduos aprendeu a controlar o medo para melhor controlar os cidadãos. E tem-no conseguido, quanto a mim.

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