30 de janeiro de 2009

Sim, senhor presidente do conselho.


A sic prepara-se para colocar num ar um daqueles tele-fast-food-filmes a que já nos habituou, desta feita sobre a vida amorosa de Salazar. Bem sei que há, neste país, uma atracção mórbida sobre o senhor presidente do conselho que governou a 2ª república com mão férrea, amado por uns odiado por outros. Os documentários têm sucedido em catadupa, numa correlação directa entre poder e fascínio - ou seja, quão maior é perversidade do político, ditador ou monarca, maior é o desejo da populaça em escalpelizar cada retalho sórdido da sua vida. O que não lembra ao diabo é por Salazar a correr atrás de moças roliças ou a beberricar beijos (só a ideia enoja) da boca de jornalistas francesas em enlevos e requebros que fariam adormecer as mais afoitas leitoras da Sabrina. § De todos os ditadores que eclodiram na Europa da primeira metade do século XX, Salazar, nascido num modesta casinhota da beira, é provavelmente o mais chato, o mais incrivelmente enfadonho e o mais provinciano de todos. Por isso, e ao contrário do que o amigo Viajante diz, - que «este país é a choldra que é muito se deve à hipocrisia, ao beatismo e ao falso moralismo desse velho despota e mal resolvido», - eu não acho que se lhe deva imputar tão hercúlea tarefa. Ele é um dos nossos. Nasceu e foi amado como salvador da pátria por muitos (até por Humberto Delgado, antes da roda da fortuna mudar). Se ele fosse a causa da nossa hipocrisia, hoje, 30 anos após o 25 de Abril, já não se toleraria a "cunha" e as delações anónimas, a inveja no seu grau maior, o clientelismo e a incapacidade para assinarmos com o nosso nome em todos os nossos actos. Se se pode impor algum feito a Salazar foi de ter sabido tirar do povo que governou e tão bem o aceitou, os instrumentos e os métodos para o manter amorfo, pobrete e alegrete.
P.S. Façam o favor de me não considerar fascista. Já me basta o estigma por ser monárquico que tantos dissabores me traz. Não tenho simpatia nenhuma pelo senhor António. Felizmente nascemos em pontos opostos do distrito de Viseu - distrito e cidade que, infelizmente têm trazido a este pais maus exemplos de ausência de liberdade e de pouco humanismo.

4 comentários:

  1. É ...esta especulação deve servir, como entretenimento saudosista, no intervalo de tempo de espera, do envio do documento que falta vir de Inglaterra, para completar o puzle, sobre o folhetim Free Port. Entretanto o pôvo diverte-se no folclore do passado submerso (beijos ditaturiais) como seriam? Amanhã ás tantas horas a Senhora jornalista vem a minha casa que eu quero beijá-la secretamente! Pam! Pam! carimbado Salazar! desculpe Amigo ás vezes certas lembranças tiram-me do sério!

    ResponderEliminar
  2. Ai de mim, também, que considero que a entrada dele foi benéfica para o País! Mas como abomino ditaduras, acho que ele ficou demasiado tempo; não, fascista não- isso seria um grande insulto!

    ResponderEliminar
  3. O anónimo que comentou este artigo, queira fazer o favor de se identificar para poder vê-lo publicado e comentado. Caso contrário, perde a razão e não honra a sua verticalidade. Obrigado

    ResponderEliminar

A Democracia exige Responsabilidade individual. Nicks, anónimos ou mensagens insultuosas demonstram faltam de auto-estima, comportamentos associais e incapacidade de lidar com a opinião alheia e, como tal, não serão publicados.