17 de janeiro de 2009

A ocidente nada de novo.

Caíram, como zangões num ataque eminente, sobre o Cardeal Patriarca de Lisboa a propósito das declarações que proferiu no Casino da Figueira da Foz. Efectivamente, o que ele disse foi claramente descontextualizado pela Comunicação Social que aproveitou para atear o rastilho. Falar no Islão, hoje em dia, como todos sabemos, é provocar reacções desesperadas e esquizofrénicas, de tal forma que a banalidade de toda a intervenção ocasionou um chorrilho de notícias estrangeiras (cf. aqui). O José Adelino Maltez, refugiando-se no seu jacobinismo, aponta mais o rídiculo do que propriamente a gravidade dos ditos, algo que eu gostaria de sublinhar. Há muito que um certo sentido do decoro se perdeu em alguns sectores da Igreja Católica. Padres que esquecem a obediência ao antístite, bispos pouco "iluminados" e, pelo meio, leigos mais ou menos deseperados por ocupar o lugar de destaque da paróquia ou da diocese fazendo tudo para lá chegar. Este é o estado da arte na ICP. Excluídas Lisboa, Porto ou Braga, as outras dioceses são incapazes de catalisar ou congregar elites culturais e de pensamento social. Por isso fiquei chocado com as declarações, por virem de quem vieram. Não fiquei indignado, como os falsos moralistas da praça que vieram pedir a cabeça do Cardeal Patriarca - pretenso arauto de novas Cruzadas -, mas tão-só, e apenas, indignado. § Como é possível que alguém se apresse a criticar as afirmações de D. José Policarpo, mas viva alegremente com a consciência de milhares de mulheres silenciadas, escondidas atrás de panos e paredes apenas por caprichos masculinos que buscam num deus a desculpa para a sua apetência sem limites? É óbvio que embora impulsivas e impensadas, as declarações do Cardeal têm a sua razão e são, na generalidade, verdadeiras. Não estava na conferência e não assisti em que contexto foram proferidas, limito-me a analisar o que a imprensa me deixa analisar. A plateia riu várias vezes com os tais comentários - o riso é uma forma de escape e conivência. Mais graves foram os comentários sobre a homossexualidade (onde se viu um D. José atrapalhado e pouco à vontade) e quanto a isso muito pouco se disse - nisto está a distância e a importância aos, e de conteúdos. A comunicação social não se pauta por cumprir uma função de interesse público, se não a lógica de políticas empresariais e ideológicas. E quando os ventos correm de feição a jacobinismos primários, a Igreja é sempre o primeiro alvo a abater. § P.S. Não me cabe defender a instituição-Igreja. Sabe Deus (fina ironia) a pouca consideração que alguns homens da Igreja terão por mim e pelo meu trabalho. Mas não há dúvida que o grande passo a dar não é modernizar o aparelho, se não cultivar os homens que o regem. Foi assim que se fizeram grandes, doutos e proventura santos, Agostinho de Hipona e Teresa de Ávila. Eles e outros são o exemplo de abnegação, tolerância, interculturidade e todos os palavrões compostos que hoje se usam para justificar uniões precárias entre mundos diversos.

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