1 de novembro de 2008

A minha terra é melhor do que a da minha vizinha (I).




As Câmaras Municipais são, como todos nós sabemos, pequenos universos onde astros gravitam em redor de micro-poderes, servindo como placa giratória de todo o tipo de favores e clientelismos. Eu sou já muito complacente com estas coisas de tanto me encherem a cabeça com expressões como "tens que fazer o jogo", "estamos em Portugal", a "cunha é património nacional", "já não há remédio", etc, etc. Contudo, a jogar por jogar, ao menos joguemos a capital e não a feijões. § Está certo que o uso da "cunha" para aceder a um lugar numa Câmara municipal significa menos um desempregado, o que é bom e cumpre o requisito dos 150000 mil novos empregos prometidos pelo nosso Sócrates. Mas cada apaniguado destes devia receber um manual de instruções à entrada do seu novo gabinete que, para além do itinerário mais rápido para o café mais próximo, incluiria esta regra: delegue. Isso mesmo, delegar - devia ser o 1º mandamento do funcionário público. Porque - está visto - quem faz a carreira pela via da "cunha", deve perceber muito pouco do ofício. Muito de relações interpessoais, com certeza - mas pouquíssimo ou praticamente nada de tudo o resto. § Delegar é importante para todos. Primeiro confere ao apaniguado a impressão de pertencer a um estatuto superior, - apenas destinado aos que mandam - e depois porque serve para que os trabalhos sejam distribuídos por indivíduos mais competentes mas que nunca chegaram a lugares de chefia por serem completos falhados nas ditas relações interpessoais ou na aplicação dos pressupostos metodológicos da cunha. E é aqui que entra o tal "capital" a que me referia atrás. Não se trata de dinheiro, mas tão-só de imaginação. O nosso funcionalismo público é cinzentão, mortiço, rabugento e indolente, naturalmente derivado da pouca vontade em empreender, em querer mais do que a rotina do pica-o-ponto. Falta-lhe em imaginação o que lhe sobra em estratégias de promoção pessoal ou política. Mircea Elíade refere que "ter imaginação - tanto para um indivíduo, como para um povo - é gozar de uma riqueza interior, de um fluxo ininterrupto e espontâneo de imagens" (ELIADE, Mircea, Imagens e Símbolos. São Paulo: Martins Fontes, 2002, p. 16) - num mundo em que fluxo tende a secar (em Portugal já quase não existe) o capital de pensamento e de acções vai definhando e, consequentemente, arrastando consigo os indivíduos para crises (como a que atravessamos agora). Se os indivíduos medíocres que abundam nos recursos humanos nas nossas câmaras e dos gabinetes de Lisboa ao menos delegassem, talvez se salvasse a honra do convento. Mas andamos a atirar fora a água do banho junto com o bebé. § Dou-vos como exemplo o vídeo acima. É um daqueles panegíricos nos quais os municípios investem, não tanto para promoção turística do concelho, mas para glorificação dos partidos e dos homens, onde o discurso alterna entre as tradições, o folclore e os monumentos. Este monólogo é tão pobre, tão fraco e pouco imaginativo que bem pode ser uma prova da decadência da Civilização tal qual a conhecemos.

2 comentários:

  1. Pois sim, pois sim, uma igreja muito bonita com uma entrada muito airosa, até dava para uma marquise, não achas?

    O moço não tem culpa...

    Abraço!

    P.S. Este post merece leitura mais atenta. A ver se volto com mais calma e menos cansado ;)

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  2. hehehe!! não posso deixar de m divertir com a tua observação e c a d Viajant... confesso q tb vi o video, e até ao fim, sobretudo porq inicia c uma imagem de um tecto em caixotões, tipologia pela qual sinto um inexplicável fascinio... mas logo comecei a esboçar um sorriso quando vi a "onda" do piqueno filme.... aqui nas profundezas de tras-os-montes abunda este tipo de "coisas" e na verdade tb eu não entendo bem a que ou a quem s destinam, mas já vi usarem este tipo de registos para se aborrecerem mutuamente os membros da autarquia quando recebem os membros de outra... é um fartar vilanagem de tanta cultura hahahah!! a ultima vez q vi foi numa cerimonia de geminação c outra terra (q ritual lindo, c troca de bandeirinhas e tudo) enfim, pequenas perolas da nossa especie...

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