26 de outubro de 2008

O espírito associativo? (I)

Diz a máxima clássica que o sol quando nasce, é para todos (embora saibamos que, na prática, não é bem assim). E as associações, quando se constituem, para quem se constituem? Bom, cada vez menos uma associação parece ser sinónimo de união, ou porque é fruto de orientações menos cuidadas, em que o objecto social não é pensado e pesado convenientemente para acudir a problemas emergentes ou prementes, ou porque se revela tantas vezes uma simples desculpa para a ascensão social, política e académica deste ou aquele indivíduo. Não obstante, participo e sempre participei no movimento associativo, convicto da sua utilidade social. Com 16 anos apenas fundei uma associação para a defesa do património numa freguesia de Cinfães, numa época em que este concelho despertava (alguma vez despertou?) para a importância da cultura, do ambiente e do património no desenvolvimento local. Depois, já durante a universidade pugnei por estar sempre envolvido, quer individual, quer conjuntamente, na «luta» (não confundir a expressão com clichés do movimento marxista, pf.) pela preservação de ideias, valores, etc. Quem sabe do que falo, sabe que falo de chatices. Sim, verdadeiros aborrecimentos porque passamos demasiado tempo a ocuparmo-nos com questões a que todos dizem respeito, mas das quais ninguém quer saber ou porque mesmo estes, - os que não querem saber -, fazem tudo para que quem faz, enfrente todo o tipo de barreiras - a tradicional postura do cidadão português face à iniciativa do «outro». Em suma, nestes anos todo de participação no movimento associativo só me trouxe dissabores. Se valeu a pena? Valeu. Em todos os aspectos: pela aprendizagem no relacionamento interpessoal, pelo fortalecimento de percepções e dinâmicas, pelo ganho obtido no conhecimento de técnicas e estratégias. E falo em estratégias propositadamente pois tenho uma amiga (a quem daqui envio o meu abraço) que abomina "estratégias", com tudo o que de pior envolve esta palavra: maquinações, conjuras, tramas. Mas, cara amiga, o que me aborrece verdadeiramente não é a estratégia em si, sinónimo de percursos que conduziram o organismos unicelular da sopa primordial até à criatura complexa que somos; o que me encanita verdadeiramente é uso da estratégia para a prossecução de determinados fins que impliquem a destruição de segundos e terceiros.

2 comentários:

  1. Serei eu por certo a sua cara Amiga, a que abomina "Estratégias", que aqui lhe retribui o abraço expresso no cada vez mais OBLIV no sentido em
    que denuncia "As ditas" e acrescento malditas, estratégias. Como constata, o Associativismo a que me "devotei" mais recentemente serve a alguns e apenas para estratégicamente se guindarem a voos políticos,tentando cilindrar os que de boa fé ainda acreditam
    no seu intento cultural
    Mas...que sem estratégia são "arrumados
    " para o canto a que pertencem, maugrado se ouvirem ainda uns ladrares nocturnos que se calarão com o passar dos tempos.,

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  2. ola

    gostei...parabens!

    Carla

    http://www.arte-e-ponto.blogspot.com

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