29 de outubro de 2008

Da ingratidão e da soberba.

Das qualidades que mais aprecio na Humanidade é a gratidão. Grato não é aquele que servilmente acorre a acudir ao benfeitor, como resposta, (quase estímulo), ao favor que lhe fora prestado. Falo de quem, verticalmente, saberá agradecer um gesto, uma acção, ou até um sentimento que lhe foi dirigido. Até porque acredito fielmente (e sem qualquer tipo de esoterismo) que o tudo aquilo que damos, o recebemos a curto, médio ou longo prazo. Ou seja, é preciso dar amor para recebê-lo. É uma experiência que podemos fazer no dia-a-dia: quando encontramos alguém em baixo, uma palavra carinhosa e franca pode ser a luz dessa pessoa. Por isso, quando penso nos ingratos que me rodeiam, lembro-me sempre da imagens antigas sobre uma espécie de limbo, lugar escuro e húmido, propício a dolorosas repetições infindas. Dar é uma benção, mas ser digno de receber também. Dizia um pensador árabe, Muslah-Al-Din Saadi, que «O coração ingrato assemelha-se ao deserto que sorve com avidez a água do céu e não produz coisa alguma». Não me podia ocorrer imagem mais adequada.

3 comentários:

  1. ...a gratidão do pobre é agradecer a esmola, a ingratidão do rico é nem sequer sentir que a deu, pois não o fez por amor ao outro mas por desencargo de consciência...

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  2. Encontraremos sempre ingratos pelo nosso caminho. Às suas primeiras e ferozes investidas ficamos muito magoados e sentidos. Depois vamo-nos precavendo, perdendo a ingenuidade, e habituamo-nos a que pelas curvas da vida apareçam sempre meia dúzia de oportunistas.

    Para não nos deixarmos amargar por esses tais e ficarmos secos como eles, devemos continuar a praticar o bem e a dar, com espontaneidade, mas sem ingenuidade. Conscientes que há sempre um beijo ou um abraço que nos atraiçoará. Julgo que aprender a viver também é saber lidar com isto...

    Abraço, meu caro.

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  3. Cara Helena, a ingratidão nivela o rico ao pobre. Porque na vida a esmola nem sempre é um tostão queimado ou sujo. Saber receber revela nobreza - estar à altura da oferta. Mas a sociedade ensina aos jovens de hoje a depender da oferta, o que é mau. Já não há benfeitores, nem agradecidos, só exigentes.

    Meu caro Viajante
    É como dizes, beijos de Judas não faltam. Temos que viver e conviver com eles. Mas fazer modo de vida disto não. Calar quando é preciso, falar quando urge!
    Um abraço.

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