10 de junho de 2008

Não é uma questão de palavras é uma questão de esperteza.

...a pátria onde Camões morreu de fome e onde todos enchem a barriga de Camões!
Almada Negreiros
Não gosto da palavra raça. Não gosto mesmo nada. Lembra-me tudo aquilo que uma sociedade ou uma comunidade não deve ser: fechada, estanque, estúpida e ignorante porque só fala para dentro, para si mesma. Falar de raças nos humanos é aproximar-nos dos animais - não que isso seja mau filosoficamente, mas confesso que a ideia de «apurar a raça» entre indivíduos, seres pensantes é, no mínimo, sinistra. Desde que a bicharada rastejou da sopa primordial que começou a miscigenação. Pitecos e Sapiens andaram por aí numa loucura que só Deus sabe, reboliço que faria corar o mais desbragado dos actuais teóricos do multiculturalismo. Para mim raça tem a ver com cavalos. Puro sangue. Ou cães, «arraçados», que têm muito mais piada que os de raça pura. A «raça» do Camões era outra, não aquela a que o Sr. Silva - que, como já deu certamente para reparar está visivelmente chéché - se referiu, mas a um conceito que não tem aproximação nos dicionários actuais. Porém, o que mais me preocupa não é o ter saltado da boca do senhor presidente da rês-pública portuguesa uma falácia daquelas, afinal de tão pouca importância. O que me chateia é que certas alimárias da Esquerda portuguesa (aqui, aqui e aqui) façam um pé-de-vento com estas coisas. Já se vê que o que interessa é animar a malta. Isto tudo é pois uma questão de esperteza, e não de palavras. Bem diz o povo que espertos são os cães, e com razão. Sejam eles de raça ou não.

3 comentários:

  1. Esquerda ou nao, é preciso sublinhar que a sociedade portuguesa nao é necessáriamente só constituida por portugueses. Isto é válido para a sociedade portuguesa e qualquer outra. e é por isso que esta afirmacao é tao grave, porque está a passar a ferro todos os que nao se encaixam numa certa definicao, numa sociedade que gosta de se vender como diversa e multicultural. mas só para o que dá jeito.

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  2. A política é, por inerência, algo que se vende «mas só para o que dá jeito» Eu sou a favor da absoluta livre-expressão. Creio, porém, que as palavras do presidente C. Silva não trazem nada de ofensivo. São imbecis - mas vindo dele, creio que já todos estamos habituados. Já o conhecemos desde a sua infância política, quando ele era um obscuro aprendiz de finanças, até depois, quando transformou este país num paraíso para land-rovers. Ainda assim votaram nele para presidente da república. É bem feita. São as vantagens do regime. A Belém tem ido lá parar de tudo, de mentecaptos a oportunistas. Cada país tem os governantes que merece.

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  3. Gostei do "paraíso para land-rovers". É isso tudo!

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